Nestas quatro imagens, apresentamos os quatro últimos presidentes do Vitória.
Neles encontra-se compreendido um período de 18 anos. Quase duas décadas.
Duas décadas em que, pese embora alguns bons resultados desportivos, mas que, obviamente, poderiam ser melhores, ficaram marcadas por uma "monstruosa" palavra comum: o passivo.
Passivo esse que entrou no léxico vitoriano após a saída de António Pimenta Machado e com a entrada de Vítor Magalhães, mas que ganhou contornos de profundo dramatismo nos derradeiros tempos do último mandato... e que precipitou-lhe a queda.
Porém, mais do que o passivo, esse monstro, para o qual estes quatro homens não tiveram e não têm uma solução eficiente, outra realidade será o retrato da sua incapacidade para resolver os problemas do Vitória.
Não se pense com essa asserção que somos contra a que o Vitória possa ter parceiros. Ou que iremos enveredar nestas linhas pela interessante discussão se o clube deverá ser majoritário na SAD e se sim que prerrogativas deverá ter o investidor no acordo parassocial entre as partes.
Mas, iremos atender a um curioso facto... a esperança que estes quatro homens tiveram a que os problemas financeiros, para os quais nunca tiveram soluções de fundo, fossem resolvidos com uma "mãozinha externa."
Começou com Emílio Macedo da Silva, no início do ano de 2012. Em desespero, procurando a ajuda de Jorge Mendes, foi ao Dubai em busca de investidor para uma SAD a constituir... falharia! Bem como falhou a ideia, na altura, na moda de criar um fundo de jogadores do Vitória, em que os investidores tirassem proventos aquando da venda dos mesmos. Não teria êxito em nenhuma delas e ver-se-ia na contingência de se demitir com um passivo na ordem dos 20 milhões de euros, que, na altura, se dizia ser, galopante e incontrolável...
Seguir-se-ia Júlio Mendes. O homem que apresentou como bandeira de campanha a constituição da SAD, afirmando ter investidores para ela. Para isso, correu meio mundo entre os países do Oriente, os Estados Unidos, a Rússia em busca de investidores.
Não o conseguiria, acabando por pedir ajuda aos sócios para fazer face ao arranque da temporada de 2012/13, algo que o mural à entrada do estádio confirma, bem como a aludir ter feito um empréstimo pessoal.
Depois disso, acabaria por recorrer a Mário Ferreira, um luso sul-africano, sócio do seu vice-presidente, Armando Marques, para constituir uma SAD que serviu, essencialmente, para aliviar o futebol das dívidas que o clube fora acumulando.
Mesmo quando o Vitória já era capaz de respirar melhor, voltaria a ter a tentação da resolução externa. Primeiro, aquando daquela Assembleia-Geral, em Setembro de 2018, quando pretendeu abolir um direito de veto para permitir a entrada de um investidor e depois quando assinou um contrato que acabou com ele a colocar Mário Ferreira em tribunal. Sem nenhuma destas hipóteses aprovadas, acabaria por demitir-se, sem outras soluções para estancar as dificuldades da SAD do clube!
Depois foi Miguel Pinto Lisboa. Apesar de, inicialmente, parecer que pretendia governar sozinho, ao promover a recompra das acções da SAD a Mário Ferreira, a verdade é que o avolumar do passivo, fruto de uma conjuntura terrível que, inclusivamente, teve a pandemia pelo meio mas que não o impediu de ter um preocupante descontrolo de custos e de aquisições, levou-o a pretender recorrer a terceiros. Assim, foi no seu mandato que houve necessidade de recurso ao Fundo Apollo para adiantamento das receitas televisivas de três épocas, bem como, pela primeira vez, tomou-se conhecimento que existiam negociações para a entrada da VSports no pacote accionário da SAD vitoriana.
Perderia as eleições para António Miguel Cardoso que utilizou como bandeira de campanha "fazer mais com menos." Apesar desse chavão, uma das bandeiras de campanha era ter em sua posse uma "célebre almofada" de 10 milhões de euros, que a taxas de juro generosas", permitiriam ao Vitória fazer face às necessidades mais urgentes.
Porém, a ideia da almofada, sob o argumento que o Vitória em juros iria ser onerado, estaria a ser sobrecarregado, desapareceu quase como apareceu. E, voltou-se à ideia da parceria... com a VSports! Realmente, esta opção terá o seu "quê" de irónica. Com efeito, depois de uma campanha a questionar as opções do presidente, ainda, em exercício, António Miguel Cardoso recorrer à panaceia para todos os males que o homem que criticara tinha apresentado... e este, ainda, acabou a ir a uma Assembleia-Geral defender a opção do seu sucessor! Absolutamente inédito em 103 anos de história.
Contudo, a UEFA haveria de bloquear os termos desta parceria E, obrigaria, o responsável vitoriano a procurar outras soluções. Mas, com recurso a terceiros de modo a permitir que o clube consiga ir fazendo face às dificuldades e às obrigações com que se vai deparando no dia a dia...
E esse será o maior desafio para o futuro...conseguir que o Vitória sem se tornar um entreposto comercial de transferências consiga ser auto-suficiente de modo a pagar, lidar e estruturar com as obrigações de curto-prazo sem deixar de controlar as de médio/longo prazo...de modo a que o monstro comum a estes quatro homens, o do passivo, continue a engordar até se tornar impossível de suportar. E isso, sem a necessidade, de, em desespero, esperar pela galinha do vizinho...
