Estávamos em 2022...
O Vitória ia novamente para eleições, depois de três anos de liderança de Miguel Pinto Lisboa. Seriam umas eleições disputadas a três, com o, ainda, líder exercício a apresentar-se a eleições, bem como dois pretendentes: o estreante Alex Costa e António Miguel Cardoso que, depois da derrota em 2019, procurava tornar-se presidente do Vitória.
Seria uma campanha animada, com os três candidatos a esgrimirem argumentos, a apresentarem propostas e a perceberem que mais do que nomes para a equipa de futebol, aqueles que antigamente se chamavam de trutas, importava projectar futuro. Futuro esse que passava por demonstrar a existência de uma política desportiva que permitisse ao clube maximizar os proventos, errar menos nas opções a tomar e continuar a vencer.
Para isso, assistiu-se a uma batalha de nomes para director-desportivo. Assim, enquanto Miguel Pinto Lisboa, após a aposta em Carlos Freitas no primeiro mandato não ter durado o triénio apostava em manter as decisões na sua cúpula, Alex Costa propunha promover o regresso do antigo capitão Flávio Meireles e António Miguel Cardoso apostava no nome de Diogo Boa-Alma que estivera a exercer funções no Santa Clara, ajudando a que o clube descobrisse jogadores como Mikel Villanueva, Zaidu, Lincoln ou Morita e que desportivamente conseguisse um apuramento europeu.
Assim, seria anunciado pelo candidato a presidente que referiria que "A aposta em Diogo Boa Alma é o corolário lógico de todo um projeto que tem para o Vitória, e que espero ver sufragado pelos associados no dia 5. Os apoios que temos sentido quer na rua, quer nas sessões de esclarecimento que temos realizado, são o sinal de que os vitorianos estão com a lista A."
E estariam, fazendo com que Cardoso vencesse as eleições, trazendo consigo um homem que fora um dos seus grandes trunfos para se tornar presidente do Vitória. Assim, entraria a trabalhar de imediato, dizendo ao Mais Futebol a 17 de Março desse ano, que "O foco é naturalmente já o próximo jogo, o jogo de sábado [Sporting], dar à equipa, assim como à equipa técnica, todo o apoio e suporte que necessitam. Depois é fazer o acompanhamento das outras equipas, da equipa B, que vai começar no domingo a Fase Final de subida à Liga 3, mas também à equipa de sub-23, da formação, dar esse acompanhamento global a todas as equipas do Vitória."
Parecia ser o homem ideal para projectar o clube no futuro, tendo papel preponderante em algumas aquisições que tinham como escopo alicerçar os Conquistadores na época subsequente. Falamos da lateral esquerdo nipónico Ogawa, do central venezuelano Mikel Villanueva ou até de Jota, que o Vitória resgatou ao Casa Pia. Parecia ser uma peça perfeita na engrenagem...
Porém, seria uma peça que duraria mês e meio nos Conquistadores. A 02 de Maio do mesmo ano, o jornal Record, anunciava que Boa-Alma deixara de ser o director-desportivo vitoriano, sendo que a nota do clube a dar conhecimento do desenlace sustentava que tinham existido "divergências ideológicas e de gestão entre ambas as partes".
Sem concretizar, com uma expressão a carecer de preenchimento, mas que nunca haveria de o ser, a grande aposta para reestruturar desportivamente o Vitória abandonava o clube nem dois meses após ter assumido funções...seria substituído no cargo por Rogério Matias, que, aos dias de hoje, segundo informações recolhidas no Portal Zerozero, só desempenhou tais funções até ao final da temporada de 2024/25. Actualmente, ostenta o cargo de consultor desportivo, ficando vago um cargo que naquelas eleições foi alvo de discussões acaloradíssimas...
