O DIA EM QUE 20000 VIMARANENSES SE UNIRAM POR GUIMARÃES...

"Não! Não pode continuar este período longo, como uma longa noite de trevas e angústias as melhores e mais legítimas aspirações de Guimarães." Era assim que começava o artigo do Comércio de Guimarães de 12 de Setembro de 1970, relativamente a uma reunião que pretendia mobilizar a sociedade civil e onde das palavras de António Xavier saiu algo que iria marcar o futuro: "a formação duma comissão permanente onde estarão representadas todas as actividades económicas, organismos, instituições e colectividades e cuja função se processará no âmbito do interesse regional em colaboração com as esferas oficiais."

O plano teve pleno êxito! Com efeito, mais de 20.000 vimaranenses saíram à rua, como escreveu o Notícias de Guimarães de 19 Dezembro de 1970, "enchendo amplo largo fronteiro aos Paços do Concelho, as ruas que para ali convergem, além das salas e corredores do edifício."

Para que tal fosse possível, tudo parou. Deste modo, "o comércio encerrou as suas portas, muitas fábricas cessaram a laboração, iniciando-se depois a concentração, com bandeiras e colgaduras nas janelas e sacadas."

Os presentes tinham um objectivo bem claro que passava por manifestar o seu apoio ao presidente da Câmara, Bernardino Araújo Abreu, para continuar os seus projectos da sua acção administrativa, apesar do constante travão que fazia com que Guimarães fosse preterida em detrimento de Braga.

Atento ao sucesso do movimento, o Comércio de Guimarães concluía que "A unidade dos vimaranenses é um facto. Que não se perca. Que haja o equilíbrio das inteligências e do bom senso para a manter. (..) Lutemos por Guimarães ao lado do presidente do Município."

Deste movimento, espontâneo, de pessoas apaixonadas e preocupadas com a sua terra, surgiria a Unidade Vimaranense, que lançaria um boletim para dar conta das suas actividades e que teria o seu primeiro número a 22 de Abril de 1971. Neste referia-se a Unidade Vimaranense "como meio de equação dos problemas da terra e forma de procurarmos. todos as soluções que melhor possam servir os interesses da grei." Aliás, no mesmo boletim surgiam os estatutos da nova associação, que logo no seu artigo 1º referia que iria pugnar pelo desenvolvimento de Guimarães e da sua região.

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