A temporada de 1990/91 começara mal desde o seu início.
Logo no estágio de pré-temporada, o jogador Nando seria alvejado a tiro, escapando da morte por pouco. Depois disso, viria a inesperada eliminação europeia às mãos do Fenerbahce, a partida de Paulo Autuori, a escolha falhada do seu substituto — o uruguaio Pedro Rocha — e ainda o episódio do jogo repetido no Restelo que, inicialmente, fora vencido para depois terminar em derrota. Tudo parecia conduzir a um filme dramático com um final que tinha tudo para não ser feliz.
Temendo esse cenário, Pimenta Machado apostou num novo treinador que, na altura, gozava de grande consenso no panorama desportivo nacional: João Alves. Na época anterior causara uma das maiores desilusões ao Vitória ao eliminá-lo nas meias-finais da Taça de Portugal enquanto treinador do Estrela da Amadora. Acabaria por vencer a prova e seguir para o Boavista, experiência que não correria bem. Despedido, encontraria no Vitória uma oportunidade para relançar a carreira.
A sua estreia foi positiva, com uma vitória frente ao Marítimo graças a um golo de Ziad, num jogo em que Nando ocupou o seu lugar habitual na lateral direita. Contudo, com o passar das semanas, o jogador foi perdendo espaço no onze vitoriano.
Até chegarmos ao dia 7 de Abril de 1991, quando o Vitória deveria defrontar o União da Madeira.
E aí, como escreveu o Comércio de Guimarães de 11 de Abril desse ano, "o caso rebentou". O jogador, à entrada do túnel de acesso aos balneários do estádio, perante um grupo de sócios, ter-se-á queixado pelo facto de nesse dia de nem para o banco de suplentes ter sido escolhido, acusando "que o Presidente Pimenta Machado era quem fazia a equipa" e, por isso, pretendia deixar o Vitória no final da época.
Aos microfones das rádios locais, quase de imediato, Nando negou tais afirmações. Ainda assim, "não deixava de mostrar a sua surpresa por ter treinado durante a semana a julgar-se titular no jogo frente ao União", prometendo inclusivamente "instaurar processos judiciais aos 3 associados do Vitória por no seu entender estarem a fazer afirmações que não correspondem minimamente à verdade."
No jornal da semana seguinte perceber-se-ia melhor o desenrolar da situação. Nando, no dia de folga, falou com Pimenta Machado, que pareceu compreender a desilusão do jogador, e com o director Pedro Xavier, que o instou a continuar a treinar-se. Assim, apresentou-se no dia seguinte para treinar… mas sem a presença do treinador, que nesse dia não estava em Guimarães.
Quando João Alves regressou, a "primeira coisa que faz: reunir com o jogador a quem comunica que não pode treinar até se apurar devidamente as suas responsabilidades." Na sequência desta atitude, seria mesmo aberto um inquérito disciplinar, vindo "o jogador a afirmar que foi multado."
Na prática, o afastamento acabou por ser curto. Nando ficou apenas de fora no jogo seguinte — uma derrota por 3-1 frente ao Nacional da Madeira — regressando depois à titularidade na vitória por 4-2 diante do Vitória de Setúbal.
Mas o episódio deixara marcas. O destino do jogador parecia já traçado e, no final da época, acabaria mesmo por abandonar o Vitória… rumo ao eterno rival.
