COMO UMA ESCANDALOSA (E ALEGADAMENTE PREMEDITADA) ARBITRAGEM MERECEU FORTE CENSURA, LEVANDO O VITÓRIA A DIRIGIR-SE ÀS MAIS ALTAS INSTÂNCIAS, SENTINDO QUE O QUERIAM IMPEDIR DE ANDAR NO TOPO DA TABELA...

Aquela temporada de 1958/59 foi de regresso dos Conquistadores ao principal escalão do futebol nacional...

Um regresso que começou mal com a equipa a ser goleada em casa do Benfica, para se recompor e somar três triunfos consecutivos, até voltar a perder no estádio das Antas. Voltaria a dar um ar da sua graça, ganhando os dois jogos subsequentes, para receber o Sporting, na sua Amorosa, no segundo lugar da tabela classificativa a apenas dois pontos do Benfica.

Assim, naquele dia 02 de Novembro de 1958, com o Vitória a alinhar com Sebastião; Virgílio, Vaz; Barros, Silveira, João da Costa; Bártolo, Romeu, Edmur, Ernesto e Carlos Alberto sofreria uma derrota por três bolas a uma, de pouco valendo o golo de Edmur.

Porém, no final da partida, a ideia geral era que ao Vitória tinham sido cortadas as pernas. Como reclamava o jornal Notícias de Guimarães de dia 09 desse mês e ano, "não pode ser assim, senhores que mandam no Desporto e que, no Domingo passado, estiveram em Guimarães e viram como foi possível cortar a carreira duma equipa, por mérito da sua valia actual, se destacava no Campeonato em curso!"

Tal devia-se à arbitragem de Francisco Guerra, que validou o golo inaugural leonino sendo que "aquela jogada que permitiu o primeiro golo do Sporting, é caso único nos anais do futebol."

Atentemos às razões aduzidas no jornal consultado: "O Sporting marcou um golo numa jogada em que a bola não estava em jogo e onde os jogadores não ocupavam a posição que os regulamentos indicam. Primeiro, a mão de Silveira, desde que o árbitro não apitou para ela, foi anulada pela de Caraballo, que recebeu a bola em condições de a jogar r a lei da vantagem diz que em tal caso o jogo não deve ser interrompido. Segundo, se o árbitro entendeu marcar a mão do jogador vimaranense, o livre respectivo, foi executado onde se encontrava o jogador do Sporting e não onde o do Vitória tinha tocado na bola. Terceiro, o castigo foi marcado com a bola em andamento, portanto contra a lei que obriga à bola parada. Quarto, o livre foi marcado ainda sem se ouvir o sinal do árbitro para recomeço do jogo. Quinto, os jogadores do Vitória não se encontravam à distância regulamentar. Sexto, o marcador do tento estava em fora de jogo. Tudo isto é muito para acreditarmos em que tudo também aconteceu por erro momentâneo do juiz da partida..."

Além disso, "temos também a grande penalidade, transformada em livre indirecto, mas que, mesmo assim, deu origem ao golo do Vitória. Temos o cuidado que tinha com a formação das barreiras sportinguistas na execução de castigos perto da sua grande área, perdendo tempo, em contraste flagrante com o que aconteceu no primeiro golo do Sporting. Temos a repetição dum livre a favor dos vimaranenses, por ser executado antes do seu sinal, em contraste evidente com o seu procedimento no mesmo caso. Temos tantos julgamentos de cargas interpretadas em dualidade de critérios, seguindo um para o Sporting e outro para o Vitória. Temos a maneira como se dirigia aos jogadores do Vitória e a forma como tratava os lisboetas.Temos tanto e tanto para podermos julgar muito mal o sr. Francisco Guerra...."

Por isso, pedia-se que "senhores que mandam no Desporto, com certeza viram tudo isto e, por isso, ficamos esperando da vossa JUSTIÇA!"

Justiça, essa, que os responsáveis vitorianos tentariam que fosse aplicada através de uma exposição à Federação Portuguesa de Futebol, como dava a conhecer o jornal A Bola de 06 de Novembro de 1958, em que se julgavam a "arbitragem suspeita." Tal devia-se à "dualidade de critérios, tendo, nas mais diversas vezes e até das mais diversas formas, agido de molde a desvirtuar o resultado final do jogo, em manifesto prejuízo da nossa equipa.”

Depois dos lances mais polémicos serem especificados e documentados graças a recortes da imprensa, pedia-se a que "tudo isto nos leva a solicitar de V.Ex.a que dêem conhecimento à Exma. Comissão Central de Árbitros da actuação deste seu subordinado, porque este clube não pode estar sujeito às contingências mais diversas que podem advir da irresponsabilidade de um árbitro..." Por isso, acusavam o árbitro de ter agido de modo premeditado, impedindo o clube de galgar na classificação. A adir à indignação vitoriana, "no final do encontro, o árbitro, Sr. Francisco Guerra, não deixou de admitir que o Vitória poderia ter alguma razão, mas somente pela circunstância de ter apitado um pouco tarde."

Mais uma vez, o tropeção era provocado por factores extrínsecos ao jogo...

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