Já dizia o ditado... os ataques ganham jogos e as defesas ganham campeonatos."
E, como a sabedoria popular na sua infinda sabedoria terá quase sempre razão, tal poderá aplicar-se ao Vitória na presente temporada.
Com efeito, desde que começou o século só em três temporadas as equipas Conquistadoras apresentavam uma média de golos sofridos do que a liderada por Luís Pinto, actualmente apresenta.
Na verdade, nos 23 jogos disputados no presente campeonato, o conjunto vitoriano já sofreu 34 golos, o que é conducente a uma média de 1,48 golos sofridos por partida. Ou seja, a manter-se este ritmo, os Conquistadores chegarão às cinco dezenas de tentos sofridos, o que será, indiscutivelmente muito.
Pior do que este registo, só em três temporadas:
- a de 2012/13, ano em que apesar de tudo, o Vitória conquistou a Taça de Portugal, mas que sofreu no campeonato uma média de 1,56 golos por partidas e que ajudou a explicar o nono lugar final;
- a de 2015/16, com igual média de golos concedidos e que ajudou que conjunto vitoriano, treinado por Sérgio Conceição, terminasse no décimo posto da tabela classificativa;
- a de 2017/18, com a média mais alta de golos sofridos com 1,65 tentos sofridos por desafio. Uma média que quase obrigava a que o Vitória tivesse de marcar, praticamente, dois golos por partida para ter possibilidades de a poder vencer. Num ano terrível, que começou com Pedro Martins e acabou com José Peseiro, destaque para os cinco golos sofridos em casa perante o Sporting, mas, também, contra o eterno rival, ou os quatro encaixados em Chaves e no Dragão.No final do exercício, o nono posto final foi sinónimo desse atroz desacerto defensivo.
Vamos, agora, ao inverso; ou seja, os melhores anos a título defensivo:
- 2006/07 - Foi o ano em que o Vitória actuou na Liga 2. Mas, para subir, havia que defender bem. E, principalmente, com Manuel Cajuda fê-lo. Acabaria a temporada com uma média de 0,66 golos sofridos por jogo e a conseguir o objectivo da época: o regresso ao seu habitat natural, ou seja a Primeira Liga.
- 2004/05 - No ano em que Vítor Magalhães assumiu a presidência da equipa e com Manuel Machado ao leme, o Vitória, principalmente, na segunda metade da época foi praticamente inexpugnável. Sofreria, apenas, 29 golos em 34 partidas, uma média de 0,85 por jogo e que ajudaria ao apuramento europeu seis anos após o derradeiro.
Estes foram os dois únicos anos em que os Conquistadores acabaram o Campeonato com uma média de golos inferior aos jogos disputados. Seriam, por isso, anos sinónimos de sucesso.
Mas, nas épocas de 2018/19, com Luís Castro ao leme, e 2022/23, com Moreno a treinar a equipa, o Vitória conseguiu sofrer tantos golos quantos jogos disputou. Quer num caso quer noutro, tal foi sinónimo de apuramento europeu.
Por fim, destaque para a época de 2007/08. No ano do último terceiro posto obtido pelo Vitória, a equipa conseguiu acabar com uma média de 1,03 tentos sofridos por partida. Todavia, para isso ter sucedido, muito contribuíram os cinco tentos sofridos frente ao FC Porto e os quatro na Amadora, ajudando a desequilibrar uma balança que, caso estes jogos não tivessem tido este desenlace, seria muito diferente.
Assim, fica uma conclusão que ajuda a adensar as preocupações com a presente temporada. É que neste ritmo não haverá objectivos que possam ser realizados... e assim sendo, será a confirmação da miragem que já é o quinto lugar!
Deixemos aqui os dados todos do presente milénio:
- 2000/01 - 1,36 (ano de sofrimento com despromoção evitada no último jogo);
- 2001/02 - 1,20 (ano de transição);
- 2002/03 - 1,35 (ano da conquista do quarto lugar com Augusto Inácio);
- 2003/04 - 1,18 (ano de sofrimento com despromoção evitada no último jogo);
- 2004/05 - 0,85 (ano do regresso europeu);
- 2005/06 - 1,21 (ano da descida de divisão);
- 2006/07 - 0,66 (ano da Liga 2);
- 2007/08 - 1,03 (ano do terceiro lugar);
- 2008/09 - 1,20 (ano mediano);
- 2009/10 - 1,13 (ano de falhanço europeu na última jornada);
- 2010/11 - 1,23 (regresso europeu com Manuel Machado);
- 2011/12 - 1,33 (primeiro ano de Rui Vitória);
- 2012/13 - 1,56 (mudança profunda do plante e conquista da Taça de Portugal);
- 2013/14 - 1,16 (ano de transição com Rui Vitória);
- 2014/15 - 1,03 (a melhor equipa sob o comando de Rui Vitória com apuramento europeu);
- 2015/16 - 1,56 (ano em falso com Armando Evangelista e depois Sérgio Conceição);
- 2016/17 - 1,15 (último quarto lugar conquistado com Pedro Martins);
- 2017/18 - 1,65 (Pedro Martins e José Peseiro e um ano de muitas goleadas sofridas);
- 2018/19 - 1 (Luís Castro a regressar à Europa);
- 2019/20 - 1,12 (Falhanço europeu com Ivo Vieira);
- 2020/21 - 1,29 (Tiago, João Henriques, Bino e Moreno e falhanço europeu);
- 2021/22 - 1,21 (Pepa a conseguir levar a equipa à Europa);
- 2022/23 - 1 (Moreno a dotar a equipa de consistência e a conseguir a Europa);
- 2023/24 - 1,12 (ano do record de pontos e Europa);
- 2024/25 - 1,09 (objectivo europeu falhado nos dois últimos jogos);
- 2025/26 - 1,48 (e agora?)
