A temporada de 1983/84 assemelhou-se a um balão a esvaziar. Na verdade, a equipa comandada pelo austríaco Hermann Stessl, apesar de ter começado o campeonato de modo bastante positivo, apresentaria claras dificuldades na segunda metade do campeonato, somando resultados negativos que comprometeriam o apuramento europeu.
Além disso, um processo eleitoral conturbado, que culminou numa disputa entre primos, com António a triunfar sobre Alberto, levaram a uma atmosfera efervescente e com pouca ou nenhuma estabilidade na estrutura do clube.
Pior haveria de ficar numa única semana. Assim, após a equipa ter sido derrotada por três bolas a zero no derby do Minho, o que levou o jornal Povo de Guimarães de 25 de Abril de 1984 a considerar que estava "a equipa vitoriana em desvalorização deslizante", o que fazia concluir que "o nosso Vitória vai de mal para pior." Tal levava a uma dramática conclusão que "quem tem orgulho de ser vitoriano ou para quem se dedicou ao nosso Vitória desde há muitos anos, este encontro de Domingo passado, causou náuseas, não pela derrota em si mesma, mas, outrossim, pela deprimente capacidade exibida em frente do velho rival..."
E se estava mal, pior haveria de ficar a meio dessa semana, quando numa viagem relâmpago ao Luxemburgo, o conjunto vitoriano seria derrotado por uma bola a zero por um conjunto local, levando a que se pontuasse que "Até no Luxemburgo!" a equipa era incapaz de honrar os seus pergaminhos.
Posto isto, viver-se-iam dias de tempestade no Castelo do Rei e logo com o próximo jogo da equipa a ser contra o Benfica que até aquela 28ª jornada do Campeonato, só tinha ido derrotada por uma vez e tinha, na primeira volta, triunfado sobre os vitorianos por aterradoras oito bolas sem resposta. Mas, mesmo assim, não existiu paz nem tranquilidade. Deste modo, "... após o regresso do Luxemburgo, a massa associativa do Club conheceu a decisão do Presidente de suspender vários jogadores e de ameaçar com a presença da equipa júnior do Club no jogo com o Benfica."
Por isso, "o importante, agora, é aproveitar a actual renovação para se compreender (...) que o futuro do Vitória passa pelo máximo aproveitamento do seu futebol juvenil e a política de múltiplas aquisições.... à experiência, de nada serve." Assim, para suprir a vaga deixada pelos suspensos foram promovidos jovens como o guarda-redes Lopes e os jogadores de campo Jorge Machado, Neca Cunha, Soeiro, Sérgio e Paulo Viana.
Seria com eles, que o Vitória faria o país abrir a boca de espanto ao triunfar por quatro bolas a uma, o que levava a que o Notícias de Guimarães considerasse que "a equipa esteve, sem dúvida nenhuma, em sintonia com a direcção, com os seus sócios, com todos os vimaranenses (...) Foram todos irmãos, a maior parte irmãos mais velhos, dos Soeiros, dos Jorges e dos Paulos Vianas. Afinal, irmãos de todos nós, porque componentes da nossa bela equipa, a equipa do Vitória, de Guimarães, agora, mais que nunca." Pelo menos, momentaneamente, a mão pesada de Pimenta funcionara...
