COMO UMA MANIFESTAÇÃO DE BAIRRISMO PRETENDEU PROJECTAR O VITÓRIA, RUMO AOS LUGARES QUE TODOS QUERIAM QUE ELE OCUPASSE...

Já aqui escrevemos que o Vitória começou a temporada de 1956/57, a segunda em que militou no inferno da Segunda Divisão, sem qualquer reforço e, apenas, a mudar de treinador, com Óscar Tellechea a substituir Fernando Vaz.

Porém, a verdade é que cedo se percebeu que, apesar de não se poder estar a sobrecarregar quem financeiramente ia ajudando o clube a manter-se competitivo, algo tinha de se feito para que o conjunto Conquistador pudesse aspirar a lutar pela promoção ao principal escalão do futebol português. Aliás, tal ideia é confirmada no texto do Jornal Notícias de Guimarães de 21 de Outubro de 1956, que refere "não podiam certos Directores continuarem a sacrificar a sua bolsa própria ou ainda solicitarem de uns tantos associados dedicados também continuamente o seu sacrifício."

Porém, algo tinha de mudar e, para fazer face a um campeonato difícil, "primeiro veio o argentino Bercejo, depois conseguiu-se o concurso do compatriota Auleta e agora alcançou-se a presença, tão desejada, do fafense Armando Barros."

Tratava-se de um investimento avultado e que foi conseguido graças "somente à dedicação de determinados Directores e de certos Sócios Amigos (sempre os mesmos!) permitiu a iniciativa e a valorização de que o Clube precisava."

Para resolver a questão poderia a Direcção "solicitar por intermédio da Assembleia Geral, a obrigatoriedade do pagamento de mais uns tantos jogos, além daqueles que estão estabelecidos nos Estatutos do Clube." Para evitar isso, surgiu a Comissão de Auxílio do Vitória, com ideia de "tomar para si a iniciativa de emitir uns bilhetes a que chamou de Boa Vontade, de um predomínio, para os sócios comprar, nos jogos que se tenham de realizar no Campo da Amorosa, durante o campeonato decorrente."

Era o associativismo e o bairrismo a ditarem leis, levando a que se instasse que "Confiamos também na massa associativa do Vitória! Ela tem obrigação agora de ajudar a sua direcção. Não basta dizer, nas suas tertúlias habituais, que são precisos novos jogadores, é necessário que ela contribua com o seu auxílio monetário e não somente com as palavras..."

O Vitória precisava de todos para caminhar!

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