UMA CERIMÓNIA DE AFECTOS A VIAJAREM À SOLTA...

I - Foi bonita a apresentação do livro escrito por Tiago Guadalupe sobre a vida e obra de Manuel Cajuda. Na sala de imprensa, onde tantas vezes o treinador teve de ser hábil e ter jogo de cintura para driblar a imprensa, voltou-se a ouvir o seu discurso pleno de imagens fortes, de metáforas expressivas e de entusiasmo pela vida e orgulho pelo que fez e continua a fazer.

II - Com um painel composto pelo vice-presidente Silvério Alves (uma pena, uma vez mais, o Vitória não se ter feito representar ao seu mais alto nível, os antigos jogadores Tiago Targino e Flávio Meireles e o filho do técnico, Hugo Cajuda, todos deixaram transparecer uma realidade: Cajuda é o pai que dava "duras", mas que com a mesma mão acarinhava e amparava os seus...

III - Por isso, não foi de estranhar que muitos dos seus jogadores estivessem na plateia e lhe tivessem tributado um carinho inelutável. Nomes como Nuno Santos, João Alves, Desmarets, Carlitos, Moreno e Sereno quiseram aliar-se aos seus antigos colegas que estavam no painel de apresentação da obra, causando a emoção do técnico em vê-los ali passados tantos anos. Destaque também, para a presença do lateral Tony que, apesar de não ter actuado sob as ordens do técnico, quis estar presente para dar-lhe um forte abraço.

IV - E se falamos em vontade de demonstrar ao treinador a sua relevância, o que dizer da mensagem de Geromel, o "menino maravilha" de Cajuda, que enviou uma mensagem ao treinador, ou da de Nilson, enviada através desta página, e que surpreendeu e que comoveu o treinador?

VI - Mas, diga-se que este é grato aos seus e não os esquece. Assim, sentiu-se que relembrava com prazer vários momentos vividos no Vitória. Desde a ameaça a Flávio de não jogar por ter o "cu pesado", ao acidente com Moreno na pré-temporada de 2006/07 e que lhe custou uma fractura na perna ou até como convenceu Geromel a aceitar que deveria aguardar pela sua oportunidade, foram vários os momentos relembrados com um sorriso nos lábios e uma lágrima no canto do olho, pois a saudade será sempre um sentimento que rima com amor....

VII - Cajuda diria mais, contudo. Afirmaria com convicção que nada falta ao Vitória para estar perto dos títulos, ainda que os clubes experimentem altos e baixos. Mostraria tristeza por ter sido mandado embora quando foi e quando acreditava poder fazer igual ou melhor aquela inesquecível temporada de 2006/07. Além disso, revelaria amargura como foi tratado num ou ou noutro momento como quando "estava com os meus netos e deixaram-me 45 minutos à espera para entrar no estádio e fui embora sem ir ao jogo..." e, talvez, por isso, se tenha percebido a quase enigmática expressão que utilizou "Os adeptos do Vitória são maiores do que o Vitória."

VIII - Mas, independentemente disso, ficou a gratidão,. As palavras finais da sessão de Carlitos, a que o técnico aludiu como um extraordinário profissional por ser capaz de treinar, não virando a cara à luta, mesmo quando experimentava um gravíssimo problema pessoal isso demonstraram. Mas, também, o abraço de Sereno ao mister, reconhecendo que se afirmou no Vitória foi pela aposta sem medos que o técnico teve nas suas capacidades. Ou, ainda, o beijo na careca do técnico por parte de Nuno Santos, um homem que aquele considerou de importância superlativa no balneário e que, mesmo sem jogar, era um líder...

IX - Depois disso tudo, ficou a certeza que valeu a pena recordar. Valeu a pena demonstrar a um homem natural do Algarve o carinho que os vitorianos têm por ele. E a certeza que terá em Guimarães, no Vitória e no D. Afonso Henriques um porto de abrigo, um refúgio onde será sempre admirado e respeitado... e isso será sempre um património inestimável.

X - OBRIGADO, MANUEL CAJUDA...

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