Não foi um ano de 2025 fácil para o Vitória...
Bastará dizer que, durante este período os Conquistadores conheceram três treinadores. Com efeito, Daniel Sousa entrou no ano que, agora, a nível de desafios oficiais findou, ainda que no que se refere a Liga portuguesa, apenas, tenha orientado a equipa em duas partidas ... ambas concluídas com empates.
Seria despedido após a humilhação de Elvas, em que o Vitória foi eliminado da Taça de Portugal, perante um conjunto do quarto escalão do futebol nacional, para entrar Luís Freire. O actual seleccionador dos sub-21 de Portugal teve o mérito de resgatar psicologicamente uma equipa que parecia afundar-se e começar a somar bons resultados. Assim, foi capaz de conduzi-la a uma sequência de dez jogos sem perder, o que a fez assumir uma posição europeia, naquele que seria o quarto ano consecutivo em que o Vitória iria andar nas provas uefeiras. Isto num ano em que se sonhou em fazer o que nunca fora feito na Liga das Conferências, mas que o Betis, perante um D. Afonso Henriques completamente cheio, tratou de desenganar.
Porém, refira-se que o primeiro mês do ano trouxe consigo algumas das vendas mais bem conseguidas da história do clube com Alberto a rumar à Juventus por 12,5 milhões de euros, Manu ao Benfica por 12 milhões e Kaio César aos petrodólares da Arábia Saudita por 9.
Apesar dessas perdas, e com apenas a contratação de Filipe Relvas a revestir-se de uma verdadeira mais-valia, quando parecia que a missão da temporada fosse concluída com êxito, após um uma recuperação brilhante chegaram os jogos do pesadelo vitoriano... aquele em casa, perante o Farense, cujo triunfo garantia o êxito da época e que redundou em derrota e depois em Alvalade, frente ao Sporting, em que o Vitória foi uma equipa entregue, sem alma, sem capacidade de, num último assomo, lutar pelo seu objectivo.
Com este falhanço, Luís Freire receberia a sua sentença e haveria de partir. Seria substituído pelo treinador campeão da Liga 2, Luís Pinto, que já houvera sido equacionado aquando da partida de Rui Borges para o Sporting. Mas, o Vitória, surpreendentemente (ou talvez, não) sofreria uma sangria no seu plantel que mudou completamente a sua face. Assim, nomes como Bruno Varela, Bruno Gaspar, Toni Borevkovic, Mikel Villanueva, Filipe Relvas, Tomás Handel, Zé Carlos, João Mendes, Tiago Silva, Nuno Santos, Jesus Ramirez e Dieu Michel haveria, de abandonar o plantel, dando-lhe uma nova roupagem.
Um novo fato que demorou a ser assimilado, diga-se. Luís Pinto foi fazendo experiências com os jogadores que tinha no plantel, demonstrando dificuldades em dar-lhe uma identidade. Mais do que isso, os que chegaram, ainda, não demonstraram capacidades em suprir o espaço deixado pelos que partiram, que, ainda, haveriam de, involuntariamente, verem-se envolvidos numa polémica acerca da sua vaidade pessoal, desencadeada pelo próprio presidente do clube no dia de aniversário do clube.
E continuaria a caminhar o Vitória, de modo trémulo, longe da assertividade exibicional demonstrada no início do ano, como comprovou a última exibição do presente ano em Rio Maior, frente ao Casa Pia. Mais do que isso, a certeza que a aposta efectuada na segunda metade do ano não está a surtir efeitos, sentindo-se saudades dos homens que partiram e que dotavam a equipa de outras soluções.
O ano de 2025, também, trouxe consigo duas eliminações sui-generis da Taça de Portugal. Uma em Elvas, perante a equipa da casa no início do ano e outra, não menos estranha, frente ao AVS SAD, o último classificado do campeonato 2025/26, que ainda não tinha ganho qualquer partida a uma equipa do seu escalão na época. Mais uma desilusão, num ano repleto delas...
Assim, o Vitória em 2025 realizou 32 partidas para a Liga nacional, o que corresponde a quase um campeonato. Nelas somou 14 triunfos, 10 derrotas e 8 empates, o que equivalerá a uma média pontual de 1,56 pontos, menos do que a que foi feita em todo o último campeonato.
Mais do que isso, importará fazer um curioso exercício que passará por apresentarmos a primeira e a última equipa apresentadas no ano que agora finda.
Assim, frente ao Sporting no inesquecível desafio que terminou empatado a quatro, Daniel Sousa utilizou: Bruno Varela; Alberto, Rivas, Jorge Fernandes, João Mendes; Manu, Tiago Silva, Samu; Kaio César, Gustavo Silva e Nuno Santos.
Hoje, no último jogo do ano, entraram em campo: Castillo; Maga, Abascal, Nóbrega, João Mendes; Mitrovic, Gonçalo Nogueira, Samu; Arcanjo, Camara e Saviolo.
Será bom, contudo, lembrar que a equipa que começou o ano encontrava-se desfalcada de Toni Borevkovic e de Tomás Handel que encontrava-se a recuperar de problemas físicos e que, caso jogassem, provavelmente ocupariam os lugares de Rivas e de Samu, tornando-a ainda mais diversa da utilizada hoje.
Além disso, outros dois factos merecerão ser analisados. O primeiro será a legitimidade eleitoral de António Miguel Cardoso que ganhou as eleições com uma larga vantagem, mas será que se as eleições fossem hoje, seria capaz de igual score? Ele que assumiu que caso a equipa não se qualifique no quinto posto demitir-se-á, ainda que na Assembleia-Geral da SAD tenha concluído o raciocínio dizendo que poderia recandidatar-se. O outro para vermos futuro na equipa B, graças aos nomes de Gui, Rodrigo Silva, André Oliveira, Hugo Nunes, Rika Rocha ou Rodrigo Duarte, só para citar alguns... e isto será simultaneamente encorajador pela qualidade que o treinador Gil Lameiras conseguiu juntar, mas merecedor de reflexão. Na verdade, um clube com dificuldades financeiras não poderá dar-se ao luxo de desperdiçar este talento, dando verdadeiros tiros no escuro no que tange a contratações! Mas isso, será para falar no final da épica desportiva...
