I - Ao fundo na fotografia, aqueles que merecem tudo. Os que acreditarão sempre num Vitória melhor, mais forte e capaz de entrar em todos os campos de peito feito... algo que mais uma vez não aconteceu, com o Vitória a ser incapaz de criar uma oportunidade de golo durante os 90 minutos que durou a partida frente ao Casa Pia.
II - Num sistema de 4*3*3, em que Camara foi o homem mais adiantado da equipa e com Nóbrega no lugar do adoentado Balieiro, os Conquistadores até entraram na partida com uma postura de salutar. Agressivos, a pressionar alto, a recuperarem a bola em zonas avançadas do terreno, o Vitória parecia querer tomar conta das rédeas do desafio. Porém, apesar disso, também, desde cedo, se percebeu um dos dramas da presente época vitoriana que é rematar, criar perigo e, simplificando, marcar golos, o necessário para vencer uma partida de futebol.
III - E, assim seria durante a primeira parte. Sem uma referência na área, sem um homem capaz de pautar o desafio, de rasgar linhas, os primeiros 45 minutos vitorianos foram uma sensaboria de toques para trás, para o lado, de tentativas sem efeito... para no final deste período, dois sustos provocados pelo ataque do Casa Pia lembrarem que não interessa ter muita posse de bola se não se sabe o que se fazer com ela, se não existe verticalidade, poder de fogo ou capacidade em agredir o oponente.
IV - E se na primeira parte foi assim, a segunda seria igual. Durante 45 minutos, jogou-se para trás, para o lado, cruzou-se para trás da baliza, bombeou-se bolas sem nexo para a área com o resultado óbvio para uma sinfonia plena de notas desafinadas... um zero, um redondo zero, perante um adversário que ainda não houvera vencido no terreno em que actua como anfitrião.
V- E, novamente, o que aconteceu na primeira metade ocorreu na segunda. Castillo teve de fazer um pequeno milagre em resposta a um cabeceamento de um jogador dos Gansos. Ao invés, do outro lado, para o futebol sem balizas do Vitórias, em que o desengonçado e com difícil relação com a bola N'Doye substituiu o inoperante e inofensivo Camara mas com um resultado igual ou pior...é que se o francês mostrou pouca ou nenhuma presença na área, ao menos era capaz de ligar com os colegas, recuar ou descair para outras zonas do terreno, enquanto o senegalês nem isso conseguiu (ou deveremos escrever, sabe?) fazer. E, com isso se o Vitória estava mal, pior ficaria....
VI - Mas, voltando a Camara, apetece questionar que gestão está a ser feito de um dos maiores activos da actualidade vitoriana? Com 18 anos, com um futuro que se supõe radiante pela frente, colocá-lo numa posição que não é dele será, provavelmente, estancar a sua progressão. Não o estabilizar numa zona de conforto, obrigando-o a desempenhar diversas posições e funções durante um jogo será contraproducente para a sua evolulção. Mas, assim, continua a ser gerido por Luís Pinto, não se percebendo a razão para tal.
VII- Foi o tempo da partida, irritantemente, correndo. Com a certeza que com o cenário apresentado o nulo era o resultado mais apropriado para panorama tão desolador. Para um espectáculo em que os solistas foram capazes, apenas, de entoarem a nota da triste previsibilidade, qual estado de espírito com que entram em campo sem chama nem improviso...
VIII - E mais uma vez, o Vitória foi incapaz de triunfar em Rio Maior. Mais do que isso, em quatro deslocações a um recinto com uma relva em estado ruinoso (será que os senhores que interditaram o relvado do Caldas só trabalham quando há Taça de Portugal?) foi incapaz de triunfar. Aliás, empatou sempre e mais do que isso, a realizar exibições tristes...
IX- Segue-se, agora, o primeiro jogo de 2026, frente ao Nacional da Madeira. Confessamos, neste momento, que sentimo-nos desmotivados para fazer qualquer projecção daquilo que será capaz de fazer o Vitória. Mas, sentimos que, neste momento, as dúvidas adensam-se, as preocupações são mais do que muitas e o objectivo europeu cada vez fica mais longe... mas será que alguém acreditava com um plantel construído com tantas lacunas e carências poderia chegar a um bom porto?
X - VIVA O VITÓRIA, SEMPRE....
