Aquela época de 2012/13 augurava-se difícil.
Mas, apesar das dificuldades, os Conquistadores levaram a cabo uma inesquecível carreira na Taça de Portugal que iria culminar naquele inesquecível dia 26 de Maio de 2013, quando o Vitória encontrou o Benfica na final da Taça de Portugal.
Porém, como o treinador escreveu no livro "A Arte da Guerra Para Treinadores", "só depois de muitos jogos, muito trabalho, muito suor e muito sofrimento se chega a uma final. Sendo mais um jogo, no fim do caminho, uma final não é só mais um jogo. Não é um jogo como os outros."
Assim sendo, urgia preparar esse desafio de capital importância com cuidados acrescidos, ainda para mais tratando-se de "uma oportunidade de ouro, um momento único que devíamos desfrutar a cada segundo, e que era nossa obrigação agarrar com unhas e dentes." No fundo, a certeza que "a grande diferença de uma final, relativamente a outros jogos, é que esta constitui uma oportunidade de ficar na história."
Por isso, era necessário preparar o desafio tendo em consideração todos os pormenores, "porque no final, tudo aquilo que acontece, tem um efeito exponencial."
Assim, tudo foi pensado desde o início, da chegada do autocarro ao estádio do Jamor. Deste modo, como o treinador reconheceu, "eu sabia que a claque do Benfica tinha ficado, por sorteio, junto à entrada dos balneários." Por isso, a equipa vitoriana não poderia chegar antes do conjunto encarnado no estádio, para evitar manifestações contra si, enquanto os presentes esperavam pela sua equipa. Atento a essa razão, sucedeu o inesquecível momento da paragem do autocarro vitoriano numa estação de serviço. Obviamente, nunca foi para abastecer mas para permitir que a equipa benfiquista chegasse, entrasse nos balneários e os seus adeptos dispersassem em direcção das bancadas do recinto.
Mas, se aí, procurou-se fugir aos adeptos, quem poderá esquecer a entrada da equipa Conquistadora pela primeira vez no relvado para o reconhecerem? Esperava-a "uma bancada cheia de adeptos do Vitória, completamente ao rubro, expressando o seu apoio. Os jogadores sentiram de tal forma esse carinho, esse abraço, que eles próprios, ainda vestidos à civil filmaram e tiraram fotos à sua claque. Ali os adeptos passaram a ser as estrelas." Tal levou a que os jogadores regressassem aos balneários completamente em ebulição, para enfrentarem o jogo das suas vidas."
Jogo esse que foi preparado com seis cenários: "contexto de vitória, possibilidade de estar a perder, eventualidade de estar a jogar com menos um jogador". O treinador reconheceu que "ao fazermos isto, fomos racionais, lúcidos e transmitimos aos jogadores que nós, equipa técnica, estávamos preparados..." "Além disso, deixei bem claro que não existem campeões sem sofrimento..."
O sofrimento, efectivamente, existiria com o Vitória na primeira metade a sofrer um golo esquisito e a ir para o intervalo em desvantagem. Por isso, ao intervalo, o treinador optou por dizer que a equipa houver estado bem e que aquela segunda parte "só exigiria que continuassem a fazer o mesmo porque o que tinham feito, tinham-no feito bem.”
Porém, na segunda parte, "o tempo passava e nada." Por isso, "começamos a fazer a 1ª alteração prevista e, passado pouco tempo, a 2ª”. Pouco depois, a inesquecível recompensa: em três minutos, Soudani e Ricardo haveriam de dar a volta ao jogo para gáudio inesquecível da mancha branca que acompanhou os Conquistadores.
O Vitória tocava o céu e, graças a um plano bem urdido, iria ter uma cidade sem dormir à sua espera...
