COMO ERROS INDIVIDUAIS NOS DEMONSTRARAM (MAIS UMA VEZ) O LONGO CAMINHO A PERCORRER, AINDA QUE A CORDA, EM DADOS MOMENTOS, TENHA PARTIDO POR ONDE MENOS SE ESPERAVA...

I - No actual momento, não importará camuflar a realidade. Seria enganar-nos e nos momentos difíceis temos de ser suficientes corajosos para a enfrentar. Esta equipa do Vitória, pese embora ter margem de progressão e ter algumas esperanças que poderão tornar-se em certezas, tem menos qualidade do que a de anos anteriores. E reconhecer isso não será ser arauto nem profeta da desgraça, mas, acima de tudo, assumir que há coisas que não estão ao nível de outros anos.

II - E, perdoem-nos voltar a uma tecla em que já batermos, que quisemos acreditar poder termos sido precipitados, mas que, cada vez mais, confirmamos. Luís Pinto poderá ser promissor, ter um bom futuro, mas está verde para assumir uma equipa com os pergaminhos do Vitória. Prova disso, o facto de ter sido completamente surpreendido (como assumiu na flash interview) pelo facto do Sporting ir jogar com dois pontas de lanças, quando em todos os jornais, durante toda a semana, esse facto foi anunciado. No fundo, só foi surpresa para o treinador do Vitória.

III - Por isso, os primeiros minutos foram tormentosos para os Conquistadores. Frente a uma boa equipa, bem orientada e a saber gerir todos os momentos do jogo, o Vitória não tinha bola, não tinha saída de jogo e vivia dos esticões de Noah. Fora isso, um sufoco absoluto, só sanado quando Castillo se sentou no chão para ser assistido e o técnico vitoriano redistribuiu as peças, passando a actuar num 4*3*3 com Camara a ocupar a ala direita, Samu no centro e N'Doye em cunha na frente de ataque.

IV - Porém, com o jogo equilibrado, a corda partiria pelo lado do jogador mais experiente do onze vitoriano. O capitão Samu é inatacável no que tange a atitude, querer e raça. É um exemplo e, por isso, fica-lhe bem a braçadeira na ausência dos pesos-pesados da temporada passada. Mas, hoje, na primeira parte ficou indelevelmente ligado ao fado da partida. Com efeito, numa transição ofensiva vitoriana uma simulação mal medida sua permitiu ao Sporting recuperar a bola e num contra-ataque mortífero abrir o activo. Quando o Vitória estava melhor e a acreditar que o jogo até poderia pender para si!

Depois, falharia de modo escandaloso o empate para o Sporting na jogada a seguir ampliar a vantagem! Refira-se que esse momento foi paradoxal do que é o Vitória 2025/26: entusiasmado a pressionar alto, a destapar o seu último reduto e a ser facilmente suplantado em contra-golpe a partir de um pontapé de baliza adversário. A fazer lembrar as equipas de basquetebol que pressionam o campo todo, com a intenção de recuperarem a bola perto do cesto adversário, mas que um passe costa a costa faz com que sofram um afundanço. E assim chegou-se ao intervalo com os Conquistadores a perderem por duas bolas sem resposta.

V - Mexeu na equipa ao intervalo Luís Pinto, apostando no irreverente Arcanjo no lugar do apático Camara e no talento com capacidade de transporte de Diogo Sousa em vez do jogo posicional e de passes sem risco de Mitrovic. Melhorou o Vitória, muito, também, graças ao grande frango de Rui Silva que não abordou do melhor modo o remate de Arcanjo, mas cujo momento foi sinónimo do agigantamento dos Conquistadores no jogo.

VI - E a partir daí, acreditou-se no empate. O Vitória começou a jogar mais no meio campo adversário. Nogueira recuperava bolas atrás de bolas. Diogo Sousa catapultava a equipa para a frente. Arcanjo inventava dribles. Mas, verdade seja dita, na área faltava quem criasse perigo. N'Doye continua a ter dificuldades de relação com a bola, principalmente quando a tem de dominar rasteira, e Nélson Oliveira, quando entrou em campo, relembrou-nos, mais uma vez, a inclemência e a inexorabilidade do tempo que a ninguém poupa, mas como haveria de demonstrar, potencia o mau-feitio, exponenciando o ego em detrimento do colectivo.

VII -E, assim com o Vitória a mandar no jogo, Trincão quase sozinho contra o mundo ganharia uma falta lateral. Bola bombeada para a área e quase perdida na linha de fundo para acabar, passados segundos, nas redes do Vitória. Um lance em que o guarda-redes Castillo ficou muito mal na fotografia (ele que tantas vezes tem disfarçado as carências que se percepcionam à sua frente), mas demonstrativo de uma realidade que passa pelo facto de quando a diferença de qualidade é grande a corda há-de partir por algum lado. Desta vez, foi por outro vértice improvável, como havia sido Samu na primeira parte.

VIII - O jogo terá findado nesse momento. O Sporting, ainda, haveria de chegar ao quarto tempo, num lance em que o guardião vitoriano, talvez, pudesse fazer novamente mais. Mas, verdade seja dita, esse tento pouco contou para as contas que quanto aos três pontos já estavam fechadas.

IX - Por isso, não se entende a reacção do jogador mais experiente do Vitória, Nélson Oliveira ao ser expulso com um vermelho directo em lance com Gonçalo Inácio. O jogador dos Conquistadores esteve em campo escassos 20 minutos! Mais do que o calor do momento, com a sua experiência, deveria lembrar-se da importância que poderia ter em batalhas futuras e não hipotecar a sua presença nelas com uma infantilidade imprópria de quem já é um veterano e que, jogo após jogo, tem conseguido hipotecar o crédito de confiança atribuído pelos vitorianos. A sua irresponsabilidade deixará Luís Pinto confinado a, apenas, uma alternativa para ponta de lança (excluindo a colocação de Camara nessa posição) no próximo jogo, prejudicando os objectivos do clube.

X - A partida terminaria com uma vitória gorda do adversário. Talvez exagerada, mas justa. Urge reflectir e aproveitar Janeiro, para com a cabeça entre os ombros, perceber as muitas carências da equipa. É uma janela de mercado para trazer mais-valias imediatas, ainda que até com menor potencial de rentabilização futura. Ora, parece, contudo, até pela contratação do avançado Opara o Vitória não estará a pensar assim. Esperamos, honestamente, sermos nós a estar enganados!

XI - Segue-se o Casa Pia, em Rio Maior, no próximo Domingo. No último jogo do ano de 2025 (que não deixa saudades no que ao Vitória diz respeito) urge vencer para não saltarmos do comboio europeu. Perante uma equipa em crescendo e com alguns valores de boa qualidade e com o Vitória desfalcado de peças como Rivas e Beni, a partida terá de ser encarada com a máxima seriedade e frieza, como sucedeu em Vila do Conde, por exemplo. Porque será, provavelmente, nestes desafios que os Conquistadores definirão a sua classificação no presente exercício!

XII - VIVA O VITÓRIA, SEMPRE...

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