Muito se falou durante esta semana do Caldas e do seu Campo da Mata, cujo relvado, supostamente, não estava em condições para receber a partida referente aos oitavos de final da Taça de Portugal.
Refira-se que o emblema caldense esteve na Primeira Divisão entre as temporadas de 1955/56 e a de 1958/59, sendo aí despromovido para não mais regressar. Ora, assim sendo a equipa das Caldas da Rainha ascendeu ao principal escalão quando os Conquistadores caíram no escalão secundário e haveriam de descer um ano após o Vitória ter regressado ao seu habitat natural entre os maiores clubes portugueses.
Assim, aquele dia 08 de Março de 1959 foi a única vez que os Conquistadores viajaram até à Mata, apresentando o seguinte onze: Sebastião; Daniel, Abel; Barros, Silveira, Virgílio; Bártolo, Edmur, Romeu, Carlos Alberto e Rola para triunfarem por duas bolas a uma, graças ao bis de Edmur, uma das maiores referências vitorianas naquela altura.
Com esse belo triunfo, como escreveu o Notícias de Guimarães de 15 de Março de 1959, "o Vitória garantiu a glória de ser o melhor do Minho no Campeonato decorrente", podendo-se acrescentar que "a equipa vimaranense acumulou a essa honra a certeza de vir a ser também, no final do torneio, o primeiro dos menores." E esse estatuto era preenchido pelo facto, de tal como agora, de ser a primeira entre aquelas "que não têm por elas as grandes receitas, as arbitragens, os jornais desportivos ou os grandes públicos."
E isso, era a verdadeira pedrada no charco que o Vitória arremessava naquela tarde contra os poderes instituídos no futebol português e que, como o Caldas experimentou por estes dias, mantêm-se intactos...
