De António Moreira não existem muitas fotografias.
O avançado que passou pelo Vitória na época de 1964/65 disputou, apenas, seis partidas de Rei ao peito, abandonando o clube no final desse ano.
A sua aventura, essa, começaria na digressão vitoriana aos Estados Unidos, surgindo aqui na fotografia da comitiva no aeroporto, sendo o segundo a contar da direita para a esquerda.
Formado no Benfica, e depois de emprestado ao Atlético haveria de sair definitivamente, por altura do serviço militar, para a Costa de Caparica, onde seria resgatado pelo treinador do Vitória, José Valle. Este conhecia-o do Atlético e que, por isso nele resolveu apostar, fazendo-o inclusivamente titular nas duas primeiras jornadas do campeonato frente ao FC Porto e ao Varzim.
Porém, a partir daí eclipsar-se-ia, desaparecendo das escolhas do técnico. Até que chegamos à primeira semana de Janeiro, altura em que se iria disputar a décima quarta jornada do campeonato, frente ao Belenenses e que iria coincidir com o primeiro desafio que iria ser disputado no novo estádio vitoriano, significando, por isso, o adeus à Amorosa.
Aí, aconteceria o impensável... Como escreveu a revista que o Município de Almada lhe dedicou, "... numa atitude impensada, um dia, em vésperas da inauguração do actual estádio vimaranense, foi de táxi até ao aeroporto e veio para o Pragal...". Sem que ninguém esperasse regressava a casa, sendo que, como era óbvio, "O Vitória não gostou e, como havia vínculo, não o deixou jogar em qualquer outro clube."
Iria assim regressar ao Vitória, onde, talvez, numa tentativa de redenção e demonstrar que acreditava nele, José Valle, ainda, apostaria nele em dois desafios. Mas, o seu coração já não estava em Guimarães e, no final da época, Salvador, que jogara no Benfica, "então a treinar o Monte da Caparica, levou-o a treinar com a sua equipa. Mas só treinou", pois, ligado contratualmente ao Vitória, os Conquistadores recusavam-se a cedê-lo só por esse ser o desígnio do jogador. Até que chegou o convite do Almada, que "entrou em contacto com o Vitória de Guimarães", e por este emblema ter agido deste modo "finalmente, libertou o jogador."
Acabava assim a carreira vitoriana de um atleta que pela sua velocidade e capacidade técnica muito prometeu, mas que, por opção própria, não se afirmou no Vitória. Arranjaria emprego na Câmara Municipal de Almada, jogando três épocas no clube da cidade, o que simbolizou a necessidade de apostar em diversas actividades profissionais distintas do futebol.
Como o próprio disse "lutei muito. Fui culpado de muita coisa, mas não errei tanto que merecesse ter sido tão castigado na vida". Pagamos pelos erros e um erro terá, provavelmente, custado uma bela carreira de Rei ao peito...
