I - Pronto... desculpem a interjeição, mas escreveu-se mais um episódio triste da conturbada relação do Vitória com a Taça de Portugal. Mais uma vez a equipa caiu sem honra nem glória, perante um adversário teoricamente inferior, que não tinha vencido qualquer equipa do seu escalão na presente temporada e que, ainda, há bem pouco tempo, houvera sido goleada no D. Afonso Henriques por quatro bolas a zero!
II - Do outro lado, hoje estava, contudo, um AVS diferente da que João Pedro Sousa trouxe a Guimarães nessa noite. Desde logo, pelo facto de a orientá-la estar um jovem treinador natural de Guimarães e vitoriano do coração, Armando Roriz, que fez o que a razão o obrigava: ser profissional e jogar a partida, abstraindo-se que pela frente estava o clube que sempre apoiou.
III - Começou bem o Vitória. A actuar em 4*4*2 com Samu a médio direito no lugar que foi de Arcanjo no passado Sábado em Vila do Conde e com uma rotação expressa nos nomes de Charles, Lebedenko, Mitrovic, Samu e Nélson Oliveira, a equipa entrou confiante, pressionante e a realizar boas combinações ofensivas.
IV - Tanto assim era que previa-se que os Conquistadores chegassem ao golo rapidamente. O golo que desbloqueasse a partida e fizesse os pouco mais de 6000 espectadores presentes no D. Afonso Henriques viverem uma noite tranquila, projectando os embates futuros.
V - Porém, sem a bola entrar, a partir da meia hora de jogo começaria o pesadelo. A certeza de que seria mais uma página de um livro de episódios infelizes, com desenlaces com travo a desilusão e que começou na lesão de Rivas. O central espanhol que tem vindo a confirmar os bons indícios deixados nos primeiros jogos da temporada passada sofreu uma lesão muscular e mais do que o presente, deverá a sua ausência preocupar-nos no futuro... Balieiro, o seu substituto, como se viu, está verde e Nóbrega não conta para este campeonato!
VI - Se tal já era uma péssima notícia, a pior da noite haveria de chegar poucos minutos depois. Num lance caricato. Inesperado. Pontapé de baliza para o AVS, Abascal enrola-se com o jogador adversário, Lebedenko falha na bola e enrola-a e o avançado adversário bate Charles... um balde de água gelada e o temor que, se haveria de verificar, que tudo poderia correr mal.
VII- E assim se chegou ao final da primeira parte e começou-se a segunda. Com o Vitória a carregar. A dar tudo. A dominar completamente a partida. Até que chegou o momento do jogo, com os Conquistadores a ganharem uma grande penalidade por mão na bola. Camara, que hoje não esteve feliz, e que já tinha falhado um golo isolado, assumiu a responsabilidade como já fizera em outras partidas. Só que para completar o filme trágico, permitiu a defesa do guardião adversário! Pior do que isso, após a defesa, a bola foi ao seu encontro... mas dominou-a com a mão, de nada valendo que a introduzisse nas redes contrárias. Houvera infracção e o Vitória iria continuar em desvantagem.
VIII - A partir desse momento, verificou-se algo que sentimos que Luís Pinto tem de melhorar. Com efeito, apesar de muito já termos criticado o treinador, a verdade é que conseguiu estabilizar a equipa. Torná-la sólida. Pouco espectacular mas mais segura e eficaz. Porém, a perder viu-se a sua pior face. Aquela que já se vira em Moreira de Cónegos, Alverca ou Famalicão que, em desespero, tentou dar a volta ao jogo. Sem o conseguir, tornou-a anárquica, com Arcanjo e Diogo Sousa a laterais, só com um médio e três pontas de lanças afuniladas e a esbarrarem-se entre si. Uma amálgama incompreensível, sem organização, nem tino e a favorecer a estratégia avense!
IX - É verdade que N'Doye ainda cabeceou ao poste. Não menos verdade será que o adversário entreteve-se a queimar tempo em rábulas, que se fosse noutra altura, seriam cómicas. Mas, o Vitória, depois das substituições, perdeu-se completamente. Ansioso pelo correr do relógio, sôfrego por sentir que os deuses estavam contra si e desorganizado pela acção do treinador, foi incapaz de chegar ao empate. Perderia assim, em mais um episódio infeliz , numa história em que 2013 foi mera excepção.
X - Segue-se o Sporting, na antevéspera de Natal, a contar para o campeonato nacional. Provavelmente sem Rivas e Beni, abalados por este resultado, há que pensar tratar-se de outra prova. Enfrentar o jogo sem medos, com coragem, e com o regresso de um verdadeiro Inferno Branco há que dar tudo para conseguir um bom resultado. Pese embora tantos percalços, o objectivo europeu não está longe e há que dar tudo por ele...
XI - VIVA O VITÓRIA, SEMPRE... NA VITÓRIA E NA DERROTA....
