COMO BRUNO GASPAR CHEGOU AO VITÓRIA, PARA, DE IMEDIATO, SE ENAMORAR PELO VITÓRIA E PELA CIDADE...

Bruno Gaspar será dos laterais incontornáveis da última década vitoriana.

Chegado a Guimarães na temporada de 2014/15, apaixonar-se-ia tanto pelo clube e pela cidade que haveria de regressar ao clube a meio do exercício de 2020/21 para representar o emblema do Rei por mais três temporadas e meia, numa relação que não terá ido mais além fruto dos problemas físicos que o foram apoquentando.

Porém, essa história teve um início que quase poderia dar um filme e que poderia, também, culminar com Bruno a vestir outra camisola que não a do Vitória. Como o próprio contou em entrevista ao Jornal Expresso de 24 de Abril de 2021, a história começou quando o seu treinador de então no Benfica B, Hélder Cristóvão, comunicou-lhe, antes de um jogo com um Leixões, que "Bruno tens de agarrar esta oportunidade, tens aí um treinador a ver-te".

Contudo, a Gaspar, nesse dia, tudo sairia ao contrário. Apesar do bom desempenho, acabaria expulso, pois "parou-me a cabeça. Ia saltar com um jogador do Leixões e dei-lhe um pontapé nas costas." Além disso, pensava que quem estava a observá-lo eram responsáveis do Belenenses e não Rui Vitória que se deslocara, propositadamente, ao Seixal para aquilatar as capacidades do jogador.

Apesar desse interesse, a verdade é que o negócio não foi fácil de se concretizar, chegando-se ao dia de fecho de mercado num verdadeiro impasse, ainda que o seu empresário da altura lhe garantisse que o negócio iria ser feito. Todavia, como o jogador contou "Chega às dez da noite e não há novidades. Até que eu ligo-lhe: “Como é que é?".

A resposta desiludi-lo-ia, pois, seria um verdadeiro balde de água gelada, atendendo a ter sido informado que o negócio já não iria ser feito e que deveria continuar a trabalhar para uma próxima oportunidade que pudesse surgir.

Mas, a tristeza só haveria de durar cerca de uma hora e quinze minutos, já que "Às onze e um quarto, estou no Seixal, em casa, e ele liga-me: "Tens de ir já para o estádio da Luz, porque vais assinar com o Vitória de Guimarães." A 45 minutos do período de transferências ser dado como encerrado, havia que fazer das tripas coração para o negócio se efectivar. Para isso suceder "Lembro-me de sair de casa, descalço, esqueci-me do BI, tive de voltar atrás para o ir buscar. Fui com o meu pai, ele estava lá em casa comigo a dar-me apoio, os dois super stressados. Fui a vestir-me no carro, passámos a ponte sem pagar a Via Verde, chegámos ao estádio, assinamos e a minha inscrição foi a última a entrar."

Gaspar era jogador do Vitória e haveria de perceber logo na primeira vez que chegou à Academia o que era o sentimento vitoriano, que tão bem haveria de encarnar. Com efeito, "Quando cheguei, fui ao complexo desportivo para acabar de assinar as papeladas e quando estou a chegar está um grupo de velhotes a jogar cartas ao lado do complexo, começam a olhar e há um que diz: "Ó Gaspar, agora é Vitória c...lho, já não é lá os mouros."

E assim começaria uma relação de seis temporadas e meia, ainda que divididas em dois períodos, mas que se cifraram em 155 partidas de Rei ao peito e a certeza que Guimarães estará sempre na mente e nos sentimentos do lateral.

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