COMO EM 1954/55, QUANDO SE APOSTOU NUM PASSO EM FRENTE, TUDO CORREU MAL...

Aquela temporada de 1954/55 era de aposta para o Vitória. Por isso, para substituir o treinador Cândido Tavares, o Vitória apostou no inglês Randolph Galloway que fora tricampeão nacional no Sporting.

Porém, como tantas vezes tem sucedido na história vitoriana, os planos sairam todos furados...

E ninguém pensava que tal pudesse suceder, ainda que a equipa tenha encetado o campeonato a perder em Évora perante o Lusitano, num dia em que segundo o Comércio do Porto, sofreu "vários golpes de infortúnio de lesões de jogadores", para acabar batida perto do final. Todavia, o triunfo em casa sobre o Benfica e um razoável empate no Bessa tudo pareceu fazê-la entrar nos domínios da normalidade, até para além desta.

Porém, a partir desse momento, tudo ruiria... onze partidas sem conhecer o sabor do triunfo e só com apenas quatro empates levaria o conjunto vitoriano a só voltar a vencer na segunda volta do campeonato, mais propriamente na primeira jornada desta frente ao Lusitano, graças a um tento de Miguel, num jogo que não terminou na data inicialmente agendada por causa do "lameiro da Amorosa."

Apesar da subsequente derrota, tida como natural, na Luz, o Vitória voltaria a triunfar em casa perante o Boavista, graças aos golos de Miguel e de Rola, em que, segundo o Notícias de Guimarães de 30 de Janeiro de 1955, a colocação deste último a avançado centro foi determinante para um sucesso que colocou os Conquistadores acima da linha de água,

O pior viria nas sete contendas subsequentes com a equipa a ser, apenas, capaz de empatar duas (em casa perante o SC Braga e o FC Porto) e a desperdiçar oportunidades para empatar como sucedeu no Barreiro, quando a grande penalidade falhada por Miguel impediu a equipa de somar pontos.

A três jogos do final, o cenário era terrível e a possibilidade de despromoção bem real... Com a equipa já a depender de terceiros, era necessário triunfar em casa frente à Académica e esperar que um dos principais contendores na fuga ao cadafalso, o Boavista, perdesse frente ao FC Porto. A equipa vitoriana até triunfaria por duas bolas a uma mas no Bessa aconteceria um "fenómeno" com os axadrezados a triunfarem por cinco bolas a duas. Um resultado tão estranho que levaria à abertura de processos consequentes suspensões aos jogadores portista, mas que do qual não ocorreria nenhuma sanção desportiva às equipas.

Com esse resultado, o Vitória ficaria em último, atrás dos boavisteiros que, pelo menos, teriam direito a disputar os play-off de manutenção. Porém, para a equipa vitoriana chegar a essa posição tinha de vencer na Tapadinha, casa do Atlético. Não sucederia, com a equipa a desperdiçar muitos golos, ainda que o Notícias de Guimarães pedisse para "não culparem só os jogadores."

O milagre de não descer directamente ficava dependente de triunfar na derradeira jornada frente ao homónimo sadino e esperar que o Boavista não ganhasse em casa à Académica. Porém, apesar do êxito vitoriano, a equipa portuense também venceria... levando o Vitória dezasseis anos depois de regresso à Segunda Divisão.

Num ano em que se esperava que tudo corresse bem, tudo correria mal... até o fenómeno anormal da partida entre os dois conjuntos portuenses. O Vitória iria ter de se remodelar para voltar mais forte...

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