COMO AQUELA SUBIDA FOI SOFRIDA, PALMILHADA PASSO A PASSO COM PERCALÇOS A MEIO, NUMA INFALÍVEL METÁFORA DAQUILO QUE É A VIDA...

Uma fotografia belíssima dos homens que resgataram os Conquistadores da Segunda Divisão, depois de três anos de suplício...

Depois de ter soçobrado nos jogos de promoção frente à Académica de Coimbra em 1955/56, de ter terminado a fase de subida no ano seguinte em igualdade pontual com o Salgueiros e o SC Braga, perdendo no confronto directo para ambos, o Vitória, sob o comando de Fernando Vaz, em 1957/58 cumpriu finalmente o objectivo que perseguia há três épocas: o do regresso, ainda que o fizesse com sofrimento máximo, tropeções e goleadas inesperadas, bem como êxitos decisivos na hora da verdade, numa exaltação daquilo que é a vida, sempre composta por sorrisos, lágrimas, aplausos, dúvidas, até ao desenlace final!

Tudo começou com um triunfo em Peniche por três bolas a uma, num momento em que as publicações vimaranenses temiam que um novo falhanço no que à subida dizia respeito pudesse levar ao desânimo total.

Assim não seria, ainda que, depois de três êxitos consecutivos, duas derrotas preocupantes, frente ao Boavista na Amorosa, por três a dois, e no sopé da Serra da Estrela frente ao Sporting da Covilhã por números preocupantes: cinco a um, o que levou o Notícias de Guimarães, a escrever que tinha sido uma "jornada de resultados certos, somente com um alarmante do Vitória."

Porém, as sirenes que dispararam terão acordado a equipa. Nos treze desafios subsequentes, o Vitória triunfou em onze e empatou em dois, com especial destaque para o êxito, com sabor a vingança, frente aos Leões da Serra, ampliando, nesse dia 05 de Janeiro de 1958, a vantagem para os segundos classificados para seis pontos. Apesar disso, se tudo parecia estar sobre rodas, a goleada sofrida na Marinha Grande, por cinco tentos a um, foi tida como "uma sombra na carreira brilhante do Vitória." Uma carreira brilhante que voltou a entrar nos trilhos com a equipa a conquistar cinco êxitos consecutivos que lhe garantiram o apuramento para a fase de subida, pouco contando os dois resultados finais nesta fase inicial, ainda que dessem que pensar: uma derrota por seis bolas a zero em Santo Tirso e o empate a um com o Sporting de Espinho na Amorosa...mas, o que realmente preocupava era a fase decisiva.

Esta começou, contudo, mal com a equipa Conquistadora a perder outra vez na Covilhã, ainda que o jornal já citado de 23 de Março de 1958, atribuísse esse malogro à intervenção da equipa de arbitragem que decidiu a partida. Urgia reagir e tal sucederia com três triunfos nos quatro desafios seguintes, com especial destaque para o êxito em Faro, por duas bolas a uma, com um bis de Civico, numa tarde em que "foi preciso excepcional brio e tenacidade para o alcance destes dois preciosos pontos."

Todavia, nada estava decidido e mais um desaire frente ao Sporting serrano, desta vez na Covilhã, e outro no Bessa, perante uma grande falange de apoio de adeptos, que levou a que o Notícias de Guimarães de 11 de Maio de 1958, a fazer uma curiosa consideração: "que aqueles que que ficaram por cá, maldizendo às mesas dos cafés, compreendam esta lição e demonstrem que são vitorianos de constante afecto, e não somente de quando a equipa ganha!"

Porém, uma luzinha de esperança haveria de acender-se com o êxito subsequente perante a Olhanense por três bolas a zero, que garantiu que o Vitória iria ficar no segundo lugar desta poule, só atrás do Sporting da Covilhã, devendo defrontar a duas mãos o penúltimo posicionado da Primeira Divisão, o Salgueiros no play-off decisivo.

As portas da subida seriam abertas, logo, na primeira mão desta eliminatória, em Vidal Pinheiro. Dois golos de Rola neutralizaram o do adversário e prepararam a festa para aquela tarde de 01 de Junho de 1958 numa Amorosa a rebentar pelas costuras. O bis do argentino Civico na primeira meia hora escancararam de par em par o grande objectivo, não obstante a reacção da equipa portuense que empataria o desafio. Mas, não seria suficiente... o Vitória, três anos depois, estava de regresso ao seu habitat natural, onde haveria de ficar durante 48 anos, até ao famigerado ano de 2006... mas isso, já será outra história!

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