COMO CARVALHO LUTOU E SONHOU PARA SER ALGUÉM NO VITÓRIA, O CLUBE QUE LEVOU NO CORAÇÃO ATÉ AO FIM DOS SEUS DIAS...

O futebol sempre exercerá um fascínio nas crianças que, pequenas, vêm a bola a saltitar...

Terá sido assim com o pequeno António José Pereira Carvalho, conhecido simplesmente no futebol por Carvalho, que, como escreveu o jornal do Vitória de 25 de Novembro de 1987, "é um dos muitos jovens que nasceram para o futebol nos bairros periféricos da cidade, onde imperava algum associativismo, mais desenvolvido que no mundo rural."

Por isso, formavam-se aquelas equipas de miúdos "de casas vizinhas e até à institucionalização de uma equipa a distância é pequena." Porém, o fascínio do clube do coração, de tentar a carreira no futebol profissional assaltará a consciência de qualquer menino.

Por isso, um "um dia resolveu com a sua equipa ir prestar provas ao campo da Amorosa, às escolas do mestre Augusto Barreira." Consigo, seus vizinhos dos Bairros dos Machados, em Creixomil, iriam mais dez aspirantes a craques. Assim "treinaram uma semana, mas só o Carvalho resistiria às exigências do futebol." Por isso, foi o único a ficar da equipa do seu bairro.

Era o início de uma carreira ascensional que começou nos iniciados e que teria o seu apogeu quando foi promovido a sénior e a possibilidade de assinar um contrato profissional. Sem hesitar, diria que sim, ainda que, posteriormente, a duração de 4 anos do mesmo, o tenha deixado a penitenciar-se pelo erro cometido. Na verdade, " - Fiz um contrato com o Vitória em que o único prejudicado fui eu. Fiquei preso ao clube mas daí nada positivo resultou. Fiquei parado." A agudizar a sua tristeza e desilusão, o facto de "naquela altura o Sporting e o Benfica estavam interessados no meu concurso." Mais do que isso, "como não fui dispensado para outro clube estive dois anos em banho maria com a actividade específica dos treinos."

Diria, depois, que "foram os dois anos mais terríveis da minha vida." A esperança só haveria de regressar quando José Maria Pedroto "veio para o Vitória e surgir a oportunidade de rodar na Sanjoanense.” Começaria um período que o fez jogar, também, no Salgueiros e no Portimonense, já sem vínculo com os Conquistadores, mas onde surgiu o convite que haveria de mudar-lhe a vida, fazendo-o alcançar o que sempre sonhara.

Como o próprio contou, "- direi que foi um regresso a casa que me proporcionou o Dr. Pimenta Machado. Sempre fui sentimental e como aspirava jogar pelo Vitória fiz um contrato que termina precisamente no fim desta temporada."

Haveria de continuar até ao final da temporada de 1990/91, para depois dar os últimos toques na bola. Haveria de regressar a Guimarães, ao Vitória, para treinar as camadas jovens, numa relação que haveria de durar até 2023, quando precocemente deixou o mundo dos vivos.

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