COMO RENÉ SIMÕES, A SURPREENDENTE ESCOLHA PARA SUBSTITUIR MARINHO, SE APRESENTOU, ENVIANDO, DESDE LOGO, UM REMOQUE, QUE HAVERIA, POSTERIORMENTE, DE USAR CONTRA PIMENTA...

Foi a escolha que a todos surpreendeu.

Depois do êxito que fora Marinho Peres naquela inesquecível temporada de 1986/87, a aposta em René Simões a todos deixou boquiabertos.

Desde logo, pela pesada herança que recebeu e que o levou a confessar em entrevista ao jornal do Vitória de 29 de Setembro de 1987, que "vir para o Vitória nesta hora era um desafio", ainda que "substituir Marinho, uma pessoa catalisadora, envolvente, extremamente amável, um treinador competente é missão a que poucas de devotariam." Além de que substituir um técnico que quase tocara o céu, levando o Vitória a patamares nunca antes alcançado, era, pois, um desafio de elevada monta.

Ainda assim, o treinador brasileiro era a imagem da confiança, uma vez que "se não estivesse confiante, não teria vindo e rumaria aos Emirados Árabes Unidos, ganhando milhares de dólares, treinando no Qatar uma equipa com menos responsabilidades do que o Vitória, onde só tem obrigação e ser campeã duas em quatro vezes."

Por isso, não temia os desafios, ainda para mais "porque o plantel do Vitória é muito bom. Os jogadores são excelentes profissionais com quem dá gosto trabalhar. Apesar de não ter sido eu a escolher os jogadores considero-os de bom nível." Porém, alertava para a necessidade de os atletas, principalmente os brasileiros, precisarem de tempo para se adaptarem, já que "todos os jogadores traziam uma rotina que foi modificada aos poucos. Desde a forma de vestir, ao comer... o brasileiro tem ainda contra si o fuso horário e a temperatura, para não falar na adaptação que também se faz a uma vida e uma cidade mais calma."

Além disso, outro factor causava-lhe surpresa, pois "no Brasil são os treinadores que indicam os jogadores." Quanto aos adeptos, dizia que "a torcida tem de ser exigente... ser exigente, vaiar o árbitro, o adversário, incitar a sua equipa, apoiando-a para que melhor possa chegar à vitória que é o que todos nós queremos."

Porém, apesar da imagem combativa, determinada e, ainda, esperançosa numa prestação afirmativa haveria de deixar um remoque que, após o seu despedimento, pouco depois, haveria de voltar a usar... contra Pimenta Machado, presidente vitoriano, não se sabendo se esta tirada já seria uma indirecta ao presidente vitoriano: "... no Brasil todo cada pessoa é um treinador em potência... e os treinadores mais frustrados são os dirigentes que têm medo de assumir as funções dos treinadores e atingir os insucessos- Por isso, ficam pressionando o tempo todo, querendo fazer a equipa, etc..."

Não sabia, ainda, que o próximo número do jornal vitoriano, datado de 23 de Outubro desse ano, iria ter uma manchete a dizer que "René Simões saiu pela incompetência que mostrou...", em resposta a uma entrevista no jornal A Bola em que, depois da chicotada, afirmou que Pimenta queria fazer a equipa. Mas isso, já será outra história...

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