Adão foi dos mais importantes elementos das belas equipas vitorianas da década de 80. Chegado ao Vitória na temporada de 1985/86, proveniente do Varzim, desde cedo assumiu a paixão pelo futebol, como contou em entrevista ao jornal do Vitória.
Com efeito, como referiu, "quando somos pequenos tentamos imitar os maiores. Então nas ruas, o meio preferido das crianças, organizamos os nossos jogos." E seria, mesmo, na rua que aprimoraria as suas capacidades, pois na sua cidade natal, Chaves, naqueles tempos não existia futebol juvenil. Por isso, "só disputei um jogo oficial quando tinha já 15 anos."
Algo que levaria a que que apostasse na carreira de jogador, já que "tinha eu 17 anos, quando deixei a família para tentar a profissionalização no FC Porto, o que vim a conseguir." Destaque-se o papel do pai que, apesar de Adão, reconhecer que "meu pai não me ensinou nada", ainda que "contei naturalmente com o apoio moral do meu pai."
Apesar disso, no emblema portuense não teria vida fácil, pois "vivi atribuladamente o primeiro ano, quando deixei Chaves para vir para o Porto." Na verdade, a diferença entre as cidades fez com que se tornasse numa "experiência dura, que afectou, inclusivamente, o meu rendimento."
Daria a volta por cima, desde logo, "porque senti que alguém acreditou em mim." Tanto que "eu estudei até aos 19 ano e completei o 11º ano da escolaridade e pouco depois fui chamado à Selecção Nacional de Juniores." Por isso, abandonaria os estudos, para se dedicar totalmente ao futebol, ainda que, no início, a própria imprensa ter duvidado das suas qualidades. Tanto que, já no Vitória, haveria de referir que "tenho tido uma luta bastante individual para chegar onde cheguei", enganando-se redondamente na frase seguinte, contudo, quando referiu que "tenho a consciência que não serei um jogador para ser recordado quando terminar a carreira." A confirmar essa sua impressão o facto de dizer algo que, ainda, hoje, sabemos ser verdade: "a imprensa gosta de declarações bombásticas, de polémica, de zangas, de casos e casos..."
Enganar-se-ia, contudo... numa carreira feita a pulso, como assumiu, saltaria do Varzim para o Vitória. Em Guimarães iria mais longe chegando a internacional e fazendo parte das fantásticas equipas de António Morais e, principalmente, Marinho Peres. Por isso, é lembrado como um dos melhores médios da história do clube... nada mal para quem pensava que iria ser facilmente esquecido, a comprovar que os craques também se enganam!
