Estávamos em Novembro de 1981...
O jornal do Vitória anunciava a boa nova "As obras do estádio já se vêem!", classificando-as de "grandiosas". Com efeito, era anunciado que "a edilidade está a gastar dinheiro, algumas dezenas de milhares de contos..."
Por isso, dizia-se que "as bancadas destinadas aos cativos já estão prontas e os camarotes estão em vias disso." Assim, aquele sector iria ficar substancialmente diferente, com outra imponência, e acima de tudo com uma lotação superior "permitindo deste modo ao Vitória arrecadar anualmente mais uns milhares de contos, que ajudarão, sem sombra de dúvida, a projecção europeia que se lhe pretende imprimir..."
Como grande impulsionador da obra, para além da direcção vitoriana, estava o presidente da Câmara, António Xavier, que, à data, também era o presidente da assembleia geral dos Conquistadores. Assim, "severamente criticados (Xavier e a autarquia em si) por causa das obras em curso, ficarão ligados para sempre a este monumental empreendimento..."
Porém, no Vitória nem sempre o fácil o é, efectivamente. Com efeito, no final dessa temporada de 1981/82 pela voz do Presidente Adjunto, Armindo Pimenta Machado, em entrevista ao jornal do clube, chegava o alerta: "A não conclusão das obras do estádio estão a causar sérias dores de cabeça à direcção."
Com efeito, os melhoramentos não se desenvolviam à velocidade desejada estavam a causar sérias dificuldades financeiras à direcção liderada pelo seu primo António. Com o clube a realizar investimentos em infra-estruturas na parte interna do estádio, sem receitas provenientes das competições europeias e, muito menos, das transmissões televisivas, a maior fonte de receita provinha da bilhética. Ora, como referiu o, então, presidente-adjunto vitoriano, "...gostaria de focar a principal razão que impediu um aumento de receitas substancial: a não conclusão das obras do Estádio e a morosidade do seu andamento."
Deste modo, o Vitória sofria, pois, "não temos tantos lugares cativos como pretendidos pelos sócios que não concretizaram a compra desses lugares por não verem as cadeiras e a cobertura. Outro exemplo: como as obras nunca mais acabam a publicidade não tem afluído como se esperava." Mas, as dificuldades não se ficavam por aí, já que "tem sido, também, muito difícil angariar mais sócios para a bancada central, por não haver as mínimas condições de acomodação." Além disso, a electrificação do estádio, que só haveria de surgir em 1987, já era uma necessidade, pois, "cremos que alguns jogos pudessem ser feitos de noite as receitas cresceriam a olhos vistos."
Ora, com todas as dificuldades a serem geradas pelo atraso nas obras do estádio, o clube vivia uma crise financeira "tornando difícil a gerência da colectividade." Ainda que o futebol vivesse dias felizes e de esperança, para o Vitória crescer e solidificar-se era necessário encorpá-lo com infra-estruturas... um trabalho que demoraria anos!

