COMO JÚLIO MENDES ANUNCIOU UM CONTRATO TELEVISIVO DE TRÊS DÍGITOS, AINDA QUE, NO FUNDO, NÃO FOSSE BEM ASSIM...

Era o início de 2016 e um período decisivo para a saúde financeira dos clubes português, o Vitória, obviamente, incluído.

Com efeito, os contratos televisivos em vigor e que eram negociados individualmente pelos clubes iriam findar em 2018 e já se começavam as preparar as negociações para os subsequentes, numa altura em que a possibilidade de centralização dos direitos televisivos nem sequer era colocada em cima da mesa.

Ora, tratando-se de um tema a envolver muitos milhões, a curiosidade dos adeptos sobrepunha-se à maioria dos temas. Tanto que, sendo o Vitória, à data, um dos poucos emblemas que nada tinha publicamente alinhavado, tal questão mereceu ser colocada numa entrevista do, então, presidente Júlio Mendes à Rádio Fundação.

A resposta dele, contudo, haveria de marcar os anos seguintes, sendo que o contrato entrou em vigor em 2018 e, ainda hoje, é o vigente. Assim, depois de dizer que "É um negócio que está em vias de ser fechado e sobre o qual não me quero alongar muito", acabaria por lançar a frase que fez com que nos olhos dos adeptos vitorianos "piscassem cifrões": "O que posso garantir relativamente a essa questão é que é um valor na casa dos três dígitos."

Até, precisamente, esse ano o assunto ficaria sujeito às cogitações jornalísticas. Afirmando-se mais ou menos milhões, mas sem uma concretização cabal dos referidos três dígitos garantidos por Júlio Mendes.

Porém, as eleições desse ano, em que o presidente vitoriano teve como oponente a lista liderada por Júlio Vieira de Castro, levariam a um volte-face no que fora dito. Desde logo, por esta lista em conferência de imprensa ter aludido a que os direitos que o Vitória iria receber iriam andar na ordem dos 7 milhões de euros por ano; ora, como se tratava de um contrato de 10 anos, os três dígitos de Mendes (o que pressupunha um valor para cima de 100 milhões) andariam na ordem dos...70!

Tal seria questionado na entrevista que Mendes haveria de conceder à Rádio Santiago nesse período eleitoral, para não confirmar qualquer valor, ainda que assumisse a existência de um adiantamento de 3 milhões de euros.

Todavia, em entrevista ao jornal Record de 18 de Março desse ano, uma semana antes das eleições que iria disputar, procuraria passar uma imagem de optimismo ao dizer que "Com um novo contrato televisivo, nós vamos estar mais competitivos também nesta variável. Portanto não será propriamente um período de vacas gordas, não posso dizer isso porque senão vou criar aqui uma expectativa muito grande e não seria correcto, mas será um período onde teremos outra capacidade na competição, porque vamos ser capazes de fazer outras opções, mais capacidade de retenção, não precisamos de vender tantos jogadores, conseguimos mantê-los mais tempo no plantel e portanto há um entrosamento maior durante mais tempo, o que traz maior consistência competitiva. Mas convém não me esquecer, o aumento de recursos financeiros por via da renegociação dos contratos televisivos não vai acontecer só no Vitória."

Apesar disso, a verdade é que os três dígitos nunca o chegariam a ser... na verdade, o contrato por dez anos iria prever os 70 milhões de euros referidos pela lista que se candidatara em 2018, à razão de 7 milhões de euros por ano. Algo que, actualmente, não ocorre fruto do adiantamento de 80% das quantias anuais contratualizado com o Equity Fund Apollo em 2021... mas isso, já será outra história!

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