COMO NASCEU CASCAVEL, O CONQUISTADOR DAS BALIZAS, NO VITÓRIA, TORNANDO-SE NUMA DAS MAIORES LENDAS DO CLUBE...

Já aqui falamos de como Paulinho Cascavel foi descoberto no Brasil, por Pimenta Machado, que a revista Foot de Fevereiro de 1986, catalogou como o "homem que em Portugal ficou a conhecê-lo bem e continuou a acreditar no seu valor."

Assim, foi ele "quem no final de 1984 o indicou ao FC Porto", e, posteriormente, quando Paulinho não houvera singrado no Porto, "quem, em Julho, lhe voltou a telefonar, convidando-o a interromper as férias e a voltar a atravessar o Atlântico."

Uma aposta ousada para um homem que com a camisola do emblema portuense houvera estado na sombra do bibota de ouro, Fernando Gomes, e que, por isso, actuara, apenas, por sete vezes, na então, equipa de reservas...onde "molhou a sopa" por catorze vezes e por escasso 20 minutos, divididos por dois jogos, na equipa principal azul e branca.

Era, por isso, também desconhecido ao novo treinador vitoriano, António Morais, o que agudizava-lhe um desafio europeu, cuja primeira experiência o tinha feito equacionar regressar a título definitivo ao seu país natal. Porém, como a publicação consultada refere, "quando aceitou o segundo convite de Pimenta Machado, Paulinho não tinha ainda conseguido convencer nenhum dos clubes anteriores a aceitá-lo de volta." Na verdade, sentia-se esquecido, pois como referia "estou completamente alienado em relação ao Brasil."  Com efeito, ao contrário do que hoje sucede, "uma época como essa talvez me desse para ser convocado se estivesse no Brasil, mas quando saímos somos esquecidos. O futebol português não é divulgado lá."

A comprovar esse sentimento, a certeza que o goleador começara a carburar. Com efeito, o dia 30 de Novembro de 1985 começou a confirmar que Pimenta não se enganara. Assim, se até esse momento, "apenas", apontara quatro golos em onze jornadas, "Paulo Roberto Bacinello chamou as atenções todas para si. Assim, “marcou dois golos no Estádio do Bessa, a que se seguiram mais dois de grande valor psicológico ao FC Porto e, enfim, uma série espectacular que o levou, no espaço de um mês, ao comando da artilharia, uma posição que bem conhece dos seus tempos de goleador do Paraná e de Santa Catarina." Uma extraordinária série de 14 golos em escassos sete partidas, de um jogador que assumia que "todos sabem que não sou um jogador egoísta e que sempre bola a um companheiro melhor colocado."

Mesmo assim, aquele que foi considerado o segundo melhor estrangeiro da primeira volta do campeonato de 1985/86, só atrás do portista Madjer, assumia o sonho de ser o primeiro estrangeiro a vencer a Bola de Prata depois do argentino Yazalde tê-lo feito em 1975...e, acima de tudo, voltar a levar o título de melhor marcador do campeonato para o Vitória, depois de Edmur o ter conseguido em 1960. Haveria de o conseguir, mas no ano seguinte, na, igualmente, inesquecível temporada sob o comando de Marinho Peres.

E, assim, nascia, um dos maiores ídolos da história do Vitória...

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