Era um novo ciclo que se ia abrir no Vitória...
Depois de Gil Mesquita ter liderado o clube durante quatro anos, Pimenta Machado, ainda muito jovem, assumia os destinos clube em 1980. Logo na sua primeira entrevista, que foi dada ao jornal oficial do clube, prometia que "tenho como única alternativa a projecção sólida, firme e duradoura do clube."
Esse desejo, segundo o próprio, era reforçado pelo facto de "todos nós, Vitorianos, sabemos que o Vitória há muitos anos está a tentar saltar o trampolim que o projecte para a ribalta do futebol nacional e mesmo internacional. E há imensos anos que não o consegue."
Ainda assim, para a primeira temporada do seu mandato, a de 80/81, assumia que "se me pergunta julgar possível Vitória atingir o 4º lugar para a próxima época, pois não posso deixar de lhe responder afirmativamente." Ainda assim, confessava que "... uma coisa é julgar possível a obtenção do lugar, outra coisa é a promessa de conseguir essa posição."
Todavia, assumia a existência de alguns obstáculos à afirmação do clube. Alertava, então, para "a necessidade de dotar o clube com infra-estruturas que passam obviamente pela existência de instalações sociais e desportivas. São bens que não só o projectam mas também o prolongam para sempre."
Assim, assumia-se como "um indivíduo muito ambicioso em tudo que me proponho encetar", pelo que "adorava que o clube tivesse uma das mais brilhantes existências desportivas de sempre." Por isso, "gostaria de criar as infra-estruturas necessárias a um maior dimensionamento desportivo. Seria óptimo ver sob a minha direcção tornar realidade o projecto pavilhão; dotar o clube com um eficaz corpo clínico(..); criar um mini-ginásio para a equipa de futebol poder fazer a sua preparação de Inverno; construir uma sede condigna à categoria do clube."
O estádio, também, merecia as suas preocupações, tendo um projecto claro que sempre o acompanhou e que ia em sentido contrário ao expresso pelo seu antecessor Gil Mesquita, que pretendia construir um recinto novo: "remoçar o actual estádio, pois esse remoçamento acarretaria um custo muito menos vultuoso; para isso é necessário que o estádio seja nosso e para ser nosso é preciso negociá-lo com a Câmara."
Mas, não descurava o aspecto desportivo ao afirmar que "gostaria que as várias equipas que formam o Vitória conseguissem as melhores classificações de sempre. Gostaria que o Vitória - praticantes e associados - tivessem um comportamento social significante de forma a poder ser posto em relevo e elogiado por todos os intervenientes do fenómeno desportivo."
Eram, pois, manifestações de princípio ambiciosas que iriam (tentar) ser cumpridas ao longo do mandato mais longo de todos os presidentes que o Vitória conheceu até hoje...
