Era a grande promessa e esperança para esse ano desportivo que se aprestava para começar...
Na verdade, a electrificação do, então, estádio Municipal era das grandes ambições vitorianas, com a direcção e os adeptos cansados pelos jogos mais importantes terem de ser disputados sempre durante o período da tarde.
Deste modo, depois de uma luta incessante, o jornal do Vitória de 20 de Agosto de 1986 trazia a boa-nova: "Obra pronta em Janeiro/87 Estádio vai ser iluminado."
Apesar disso, considerava-se que "a Câmara continua a decidir tarde e a más horas tudo quanto se relaciona com o Vitória", pois "em 5 de Maio (..) a proposta agora aprovada havia sido retirada por se ter entendido carecer de base legal." Tal haveria de ser explicado pelo presidente da edilidade (e também da Assembleia-Geral do Vitória), António Xavier, que diria ao jornal O Jogo, que tal devera-se a "uma deficiente informação do chefe de secretaria já que as circunstâncias em que a mesma proposta foi agora votada são idênticas".
Todavia a 11 de Agosto desse ano, após concurso público, seria realizado a adjudicação da obra pelo executivo autárquico no valor de 52.838.705$00. Ainda assim, um momento tido como tardio pelo Vitória, pois, se a deliberação tivesse sido tomada no referido dia de Maio, "possivelmente, o jogo Vitória-Sparta Praga acabaria por ser realizar à noite", não prejudicando o comércio e a indústria que encerrava (pelo menos a título parcial) para que todos pudessem apoiar os Conquistadores.
Assim, para tentar-se resolver esse problema levantava-se a hipótese de, atendendo à promessa realizada pela Câmara, de "dotar o estádio com um sistema de iluminação provisório", para que o jogo contra a equipa checa pudesse realizar-se à noite. Por isso, apesar de lamentar-se que a Câmara não actuasse de modo rápido na resolução desse problema, lembrava-se que "só a RTP dispões de aparelhos para tal iluminação e como se sabe que a contrapartida é normalmente a transmissão do respectivo jogo (o que na altura não era visto com bom olhos, pois defendia-se que perdia-se a receita da bilhética), vamos ver como a Câmara vai resolver o problema e salvaguardar os legítimos interesses do Vitória."
No final, tudo sairia ao contrário... não existira sistema de iluminação provisória, o jogo seria à tarde com o comércio e as fábricas a terem de encerrar parcialmente e a desejada iluminação a ser inaugurada no início da época seguinte, ao invés dessa... Assim, só a 30 de Setembro de 1987, pela primeira vez, o Vitória haveria de disputar um jogo europeu sob luz artificial... o adversário, em vez dos checos do Sparta de Praga, eram os húngaros do Tatabanya... mas isso será outra história!
