Terá sido dos objectos mais misteriosos que aterraram em Guimarães nos últimos anos.
Estávamos em pleno mercado de Inverno de 2016 e Júlio Mendes procurava retocar um plantel, assumindo mesmo num jantar de homenagem ao malogrado guardião Neno, ocorrido no final de Janeiro de 2016, que “a SAD está a tentar melhorar aqui ou ali o plantel em sintonia com o treinador Sérgio Conceição.”
Ora, por isso chegariam nomes cedidos a título de empréstimo como o catalão Oriol Rosell do Sporting, o brasileiro Victor Andrade do Benfica e a título definitivo um tal de Raphinha, que iria encetar a sua caminhada vitoriana pela equipa B, e… um nome absolutamente desconhecido que a todos causou estupefacção. Era Franci.
Falar de Franci é, provavelmente, aludir a uma das aquisições mais sui-generis dos últimos períodos aquisitivos vitorianos. Extremo esquerdo que actuava no Botafogo de Ribeirão Preto da Série D canarinha, ainda que o seu passe pertencesse ao Coimbra… emblema detido pela Banco de Minas Gerais, conhecido por BMG, o que parecia, desde logo, indiciar a vontade da instituição ter relações económicas estreitas com os Conquistadores.
Como reconheceu Gerson Garcia, presidente do emblema brasileiro, tratava-se de uma “proposta irrecusável”, acrescentando que tratava-se de “um contrato de três temporadas e meia. O Botafogo não tem como oferecer uma compensação para o atleta, que quer ir, tem interesse.”
Assim, chegaria o esquerdino a Guimarães, para se estrear num dos desafios mais cinzentos da época, quando o Vitória perdeu em Coimbra, frente à Académica, por duas bolas a zero. Actuaria durante 37 minutos, num prelúdio que seria o seu périplo até ao final da época. Com efeito, nunca seria titular e só por sete vezes jogaria na equipa principal, denotando uma abnegação a merecer, talvez, mais atenção.
Na sua segunda época esperava-se que pudesse afirmar-se. Que estivesse mais adaptado. Puro engano, ainda que fosse por aí que actuasse pela única vez como titular na equipa principal vitoriana. Estávamos a 16 de Outubro de 2016 e na Póvoa de Santa Iria, o Vitória dava início à caminhada que o faria chegar ao Jamor.
Seria o seu canto do cisne… De imediato, seria tratado o regresso ao seu clube de origem por empréstimo. Não mais voltaria ao Vitória, ainda que o seu contrato fundasse em 2019, quando estava cedido aos nipónicos do Albirex Niigata do segundo escalão do país.
Para sempre ficará como uma das contratações mais surpreendentes dos últimos anos… com um sucesso muito aquém do esperado!
