Estávamos no início da temporada de 1997/98...
Mais propriamente na terceira jornada desse campeonato, em que o Vitória, orientado por Jaime Pacheco, recebia o Sporting com Octávio Machado ao comando.
Do lado leonino estava um menino feito homem que se mudara esse ano para Alvalade. Nado e criado no Vitória, com passagem de duas temporadas por empréstimo ao Benfica e Castelo de Branco, e que regressara a Guimarães feito homem para se tornar num dos melhores laterais do futebol português. Quim Berto, de seu nome, depois de cinco épocas de altíssimo nivel.
Assim, seria cobiçado pelos clubes mais mediáticos do futebol português, acabando por escolher o Sporting, levando Pimenta Machado a dizer que "estão praticamente assentes mas ainda vamos conversar com os jogadores. Já falei com o Nuno Valente, Filipe e Luís Miguel! O Luís Miguel levantou uns certos problemas devido à mulher estar na Faculdade, e isso será assunto para eu falar com o Dr. Simões de Almeida, para ver como vai ser resolvido."
Destes, apenas, Filipe, campeão mundial de sub-20 em Riad e já internacional português chegaria ao emblema do Rei, ainda que, devido a lesões, apenas actuasse com a camisola vitoriana por cinco vezes e só na derradeira jornada como titular, quando Quinito já era o treinador do conjunto Conquistador.
A desejar-lhe sorte estava uma verdadeira lenda vitoriana. Património eterno do clube, mesmo depois do seu adeus ao mundo dos vivos. Falamos de Daniel Barreto, mítico jogador do clube, que chegara em 1963/54 para o escalão júnior do clube. Ascenderia aos seniores para cumprir 16 temporadas ininterruptas de Rei ao peito. Mais do que isso, seria presença assídua e desejada em todos os momentos do clube, como naquele dia... em que, para além do jogo, os Conquistadores celebravam as suas bodas de diamante.
No final, ficaria o velho jogador a sorrir. Apesar de Quim Berto ter entrado em campo, no decorrer da segunda metade do desafio, para enfrentar os seus antigos companheiros, o golo de Tito que, ironia das ironias, o houvera substituído na lateral esquerda vitoriana faria a diferença... era a consagração definitiva de uma noite de e para esquerdinos, todos eles com ligação umbilical ao Vitória...
