Será sempre um dos nomes mais inconformáveis da última década vitoriana.
Bruno Gaspar pelo modo como se tornou num de nós, desde os primeiros momentos daquela temporada de 2014/15, merecerá ser sempre recordado.
Mais do que os atributos demonstrados desde início, sentiu-se que facilmente absorveu os valores vitorianos: dedicação, sentimento e jamais esmorecer.
Seria assim até aquele infeliz jogo da final da Taça de Portugal em que as lágrimas dos vitorianos se confundiram com a chuva... Partiria para Florença para ser recordado como um dos bons laterais vitorianos.
Também, por isso, voltaria a meio da época de 2022/23. Envolvido na venda de Edwards ao Sporting, regressava a casa. Como sempre deixara antever, Guimarães e o Vitória eram os lugares onde se sentia feliz, confortável.
Porém, já tudo era diferente. O Bruno que partira quase menino era um homem feito. E, com mais dificuldades pelos muitos quilómetros percorridos, pelas mil e uma aventuras vividas que até o levaram ao longínquo Canadá. Por isso, viveria atormentado pelas lesões. Pelos constantes trabalhos de recuperação.
Acabaria, contudo, durante algum tempo por viver uma segunda juventude. Na temporada de 2023/24, Bruno voou. No esquema gizado por Álvaro Pacheco fez-nos acreditar que as poções da juventude existem, que a regeneração é sempre possível e que podemos vencer os nossos próprios limites.
Todavia, na última época voltou o martírio. O confronto permanente com o corpo. A incapacidade em superar as suas carências.
Parte, agora, rumo a um campeonato menos árduo, menos exigente. Contudo, mais do que a partida, ficam as memórias. Foram 155 desafios de Rei ao peito e a certeza que, em todos os momentos, tudo deu pelo símbolo. Que seja feliz...
