COMO EM TIAGO, ENCONTRAMOS O EXEMPLO PARA CHEGAR MAIS ALÉM, PARA NOS SUPERARMOS, ATÉ SE TORNAR NUM DOS MAIORES SÍMBOLOS DO VITÓRIA DE HOJE...

É uma das grandes imagens vitorianas da actualidade. Um dos seus líderes, ainda que sem braçadeira. Mais do que isso, será aquele que, pelo seu talento e esforço, tornou-se quase numa extensão dos adeptos no campo. Uma vontade indómita de vencer, de ir mais além, de trincar a língua numa simbiose perfeita entre talento e raça, magia e trabalho.

Contudo, Tiago será mais do que um extraordinário jogador de futebol. Será mais um exemplo de vida de alguém que teve de subir a pulso, driblar as dificuldades, de virar a cara às dificuldades, como admitiu em entrevista ao jornal A Bola de 21 de Outubro de 2024. Assim, "Tínhamos dificuldades financeiras, vivíamos num bairro social, crescemos nas barracas e o meu pai teve de emigrar para juntar algum dinheiro."

Terá sido isso a moldar-lhe o espírito, a fazê-lo conjugar o talento que já destilava com um espírito rebelde, de sobrevivência.... além de "a minha irmã estudava e quando saía da escola vinha ter comigo. Estudava e trabalhava ao mesmo tempo para nos dar algum fôlego"

Tal permitir-lhe-ia apostar numa carreira de futebolista, que terá tido o ponto alto de representar a selecção olímpica portuguesa no Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro de 2016, quando estava na antecâmara da passagem do Belenenses para o Feirense.

A sua carreira haveria de prosseguir, mas como refere na mesma entrevista, "Já desde muito pequenino que tinha uma paixãozinha pela Vitória, porque eu fui eliminado pela Vitória na Taça de Portugal quando estava em Belém, no ano que eles ganharam a Taça. Sempre disse isso aos meus amigos. Eles diziam-me, “isso era o clube ideal para ti” e eu sempre dizia que a voltar a Portugal gostava de jogar na Vitória."

Tal haveria de suceder na época de 2021/22, depois de um ano nos helénicos do Olympiakos, graças ao novo treinador vitoriano, Pepa, que tinha em Tiago uma paixão antiga, ao ponto de já o ter pretendido recrutar para o Paços de Ferreira. Com efeito, "ele foi ter comigo a Nottingham quando eu andava de muletas, levaram-me uma camisola, que tenho guardada com o meu nome. Disseram-me “esta vai ser a tua camisola este ano”. Eu disse não pode ser, pelo menos mais um ano porque eu preciso de estar fora porque como sabem em Portugal não se paga grandes salários e eu preciso fazer algum dinheiro para ser um homem de família e depois poder voltar a Portugal. ele disse, “Ok, espero o tempo que for preciso”.

Esperaria um ano... o tempo para mudar de clube e apaixonar-se definitivamente pelo Vitória e pelos seus adeptos, ainda que reconhecesse que "Os adeptos do Vitória são incríveis e ao mesmo tempo conseguem ser ‘mauzinhos’. Não é ‘mauzinhos’, mas demasiado exigentes e às vezes causam desconforto para a equipa. Quando cheguei nos dois primeiros anos, sentia mais isso. Agora sinto até que as coisas estão mais equilibradas e eles conseguem perceber o nosso lado. Passam alguma intranquilidade, mas ao mesmo tempo também passam um bem-estar incrível, mesmo quando estão mal." A título de exemplo, "Eu lembro-me que estávamos a perder 3-0 agora com o FC Porto. Não foi um jogo bem conseguido da nossa parte. Foi um dos piores jogos que nós fizemos. E eu no final achei pronto, vamos voltar a ter aquela assobiadela que já tivemos noutros anos. E não, eles a baterem palmas."

E, até à presente data, assim é... um, dos maiores símbolos do Vitória da actualidade.

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