COMO EM MAIS UM DESAFIO CONTRA UMA EQUIPA DA I LIGA, O VITÓRIA VOLTOU A SER CAPAZ DE NOS DEIXAR PREOCUPADOS QUANTO AO SEU FUTURO...PORQUE QUEM AMA FICA MAIS INQUIETO COM ALGUNS FACTOS DO QUE, ATÉ, PROPRIAMENTE, COM O RESULTADO DE UM JOGO A FEIJÕES...

I -Não queremos ser arautos da desgraça, nem quereremos tirar precipitadas conclusões destes jogos de preparação, mas confessamo-nos preocupados. Em dois desafios contra duas equipas, teoricamente, candidatas a andarem nos lugares mais baixos da tabela da I Liga, o Vitória foi incapaz de vencer. Porém, se, no passado Domingo, frente ao AVS, o empate foi o resultado, perante o Estrela um golo solitário abateu os Conquistadores.

II - É verdade que Luís Pinto terá utilizado um onze alternativo, atento o desafio de logo

à tarde frente aos sauditas de Al-Itthiad. Mas se isso servirá de atenuante, servirá também para adensar as nossas dúvidas enquanto vitorianos. O que será desta equipa se começar o campeonato sem o líder da defesa Borevkovic, ou sem o líder da equipa Tiago Silva? Na verdade, nenhum processo de rejuvenescimento terá êxito se não for paulatino, moderado, ao invés de agressivo, procurando o milagre da espontaneidade.

III - Apesar disso, o Vitória com as caras novas conseguiu ser melhor do que o Estrela durante quase todo o desafio. Porém, mesmo com essa superioridade notaram-se vários problemas que nos inquietam. A defesa continua titubeante, trémula e com dificuldades de posicionamento e de construção de jogo, fazendo reflectir o processo de downgrade que este sector sofreu desde o mês de Janeiro deste ano. O meio campo, apesar do talento com bola nos pés de Mitrovic e Diogo Sousa, anda, ainda, duas velocidades abaixo do que quando actua sem Handel e Tiago Silva, fazendo-nos questionar e temer como será o futuro se estes partir. O ataque, esse, continua improdutivo e incapaz sequer de fazer cócegas, levando-nos a rogar que N'Doye (se chegar!) venha resolver um crónico problema de eficácia, de agressividade e de killer instinct que existe desde que André Silva foi vendido para lá da janela de transferências de Janeiro de 2024 e com uma menos-valia de 800 mil euros.

IV - Pese embora esses factos, pasme-se que durante grande parte do jogo os Conquistadores dominaram o desafio. Sem criarem oportunidades, à excepção de um cabeceamento de Miguel Nóbrega que deu a sensação de golo, foram raros os momentos de frisson junto das duas áreas. Castillo, fora uma brincadeira com os pés que podia ter corrido mal e que não deverá fazer num jogo a doer, foi um mero espectador, nada podendo fazer no golo que sofreu e que ditou a derrota vitoriana.

V - Luís Pinto, sabendo do jogo de logo à tarde, lançou os pesos pesados a 15 minutos do final da partida. Mas, com Borevkovic a liderar a defesa, Vando e João Mendes a equilibrarem as alas, Tiago e Handel a mandarem no jogo, tudo mudou. A equipa soltou-se, melhorou nas fases de construção, conseguiu chegar em bloco à área e dar a entender começar a assimilar as rotinas de jogo. Contudo, sem um homem golo, sem alguém capaz de atemorizar o último reduto contrário, tal melhoria seria estéril e incapaz de conduzir ao golo.

VI - Assim, o Vitória perdia a partida e deixa muitas dúvidas no ar. Dúvidas que passam pelo futuro que quererá trilhar. Se as constantes notícias da saída de pesos-pesados do balneário não serão um terrível risco para as aspirações dos Conquistadores. Se as apostas no último reduto da equipa foram feitas com a devida acuidade, sendo certo que os ataques ganham jogos e as defesas ganham campeonatos. Mas, como sequer podemos ganhar jogos sem criar lances de perigo e sem um avançado goleador?

VII - Segue-se, logo à tarde, o desafio contra o campeão saudita, à porta fechada.

VIII - VIVA O VITÓRIA, SEMPRE...

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