I - Após o primeiro jogo aberto ao público frente ao Ponferradina escrevemos que a partida valeu o que valeu, mas não sabíamos o que tinha valido. Com efeito, atendendo ao débil onze apresentado pelos espanhóis nos primeiros quarenta e cinco minutos, ter-se-á tratado de um (não) teste e ilusório acerca do estado da equipa.
Assim, o torneio da Póvoa, apesar dos adversários não serem de topo, serviria de barómetro acerca do estado da equipa.
II - Depois do triunfo ontem frente ao Vizela, Luís Pinto, apesar de mudar alguns jogadores, foi fiel à sua ideia. Uma ideia que o faz actuar num 3-4-3 em que um central é um lateral de raiz para dar saída e fluência de jogo. Se ontem foi Maga que fez esse papel, hoje foi João Mendes, obrigando-nos a assumir com humildade que, ao contrário do que escrevemos, não se tratou numa aposta no primeiro, mas sim a confirmação da sua ideia. Ainda que, achemos que se a ideia é essa, a equipa ficaria muito mais equilibrada com Maga a fechar no eixo direito e João Mendes a projectar-se na ala.
III - Não obstante essa conclusão, o Vitória começou bem a partida frente ao Aves. Com Vando Félix a confirmar os bons indicadores deixados nas duas partidas anteriores, com um apreciável entendimento com Telmo Arcanjo, foi por ali que os Conquistadores procuraram chegar ao golo. O jovem jogador contratado ao Torreense parece ser uma decisão de sucesso de Luís Pinto, demonstrando que poderá ser uma força desequilibrada naquela área do campo.
IV - Não obstante isso, apesar do bom volume de jogo produzido, notaram-se debilidade. A contratação de um ponta de lança será para ontem, ainda que esperemos que N'Doye se confirme. Aliás, foi reveladora a decisão de colocar Gustavo nessa posição, ele que é um extremo de raiz. Borevkovic e Abascal parecem estar na frente dos seus colegas do centro de defesa, mas o croata sente claras dificuldades em actuar descaído. E, por muito que nos custe, temos de falar de Handel. O talentoso médio, desde a famigerada digressão à Suíça., não mais recuperou os índices de outrora. E quanto se ressente o Vitória de não ter aquele médio que parecia um polvo...
V - Assim, pese o domínio territorial, a tentativa de jogar curto e apoiado, a verdade é que as melhores oportunidades da primeira metade foram do adversário., Valeram os reflexos de Charles, o poste e a certeza que a manta ainda não cobre todo o Vitória... tapando as brechas ofensivas, ainda com ineficácia gritante dos pontas de lança, destapa-se a defesa e a equipa teve de sofrer.
VI - Na segunda metade, pese embora as substituições, a verdade é que esta foi dominada na sua plenitude pelos Conquistadores. Novamente fiéis à ideia que pretende ser implantada, mas sem poder de fogo, sem capacidade de ferir o adversário, sem um homem que "as bote lá para dentro"; como o povo costuma dizer. E como quem não marca sofre, seria o adversário na única vez que chegou à área vitoriana na segunda metade, a facturar.. Um golo que se pensou ser a decisão da partida...
VII - Não o seria, todavia. Um lance de Camara, que tem convencido a maioria pela sua disponibilidade, polivalência e leitura táctica, que terminou numa falta dentro da área avense, e que permitiu a Nélson Oliveira igualar o desafio já em período de compensação. Um momento importante para o jogador e que esperemos que sirva como injecção de confiança. Na verdade, um avançado vive de golos e Nélson bem precisa deles para ganhar confiança.
VIII - Seria, pois, no desempate pelos pontapés de penalty que se decidiria o vencedor do torneio. O Vitória, neste momento decisivo, esteve às portas do céu, viajou à entrada do inferno e acabaria por ser feliz... apesar de ser um torneio de Verão, realce para algo que raramente tem sucedido na história que é vencer uma decisão assim. Que seja um prenúncio para um futuro mais feliz neste momento de jogo, quando ele surgir.
IX - Segue-se o estágio no Algarve que servirá para Luís Pinto tomar decisões quanto a hipotéticos cortes no plantel, determinar as posições mais cadenciadas e continuar a trabalhar um novo modelo de jogo que é ambicioso, mas que, ainda, nos faz questionar se será o que mais se coaduna com os jogadores do plantel. Veremos...
X - VIVA O VITÓRIA, SEMPRE!
