Será dos lugares mais marcantes da parte central de Guimarães.
Situado no Toural, o Café Milenário, com mais de 70 anos de história, desde o seu início teve um objectivo: homenagear a milenar história vimaranense e daí ter escolhido o nome que o haverá de eternizar.
Apesar de ter recebido várias obras de manutenção, a verdade é que mantém a traça original, com uma única alteração. Assim, naquela parede cheia de espelhos, em que, certamente, todos, alguma vez, já nos miramos, existia uma gravura em que eram representados animais e caçadores que estavam nus. Logo nos primeiros anos do café, e depois de ter-se tentado pintar saias nos ousados caçadores, resolveu-se eliminar a pintura... substituindo-as pelos espelhos que hoje conhecemos.
Além disso, várias figuras sentaram-se naquelas mesas tão icónicas. Nomes como o cineasta Manoel de Oliveira, ou os políticos Francisco Sá Carneiro e Diogo Freitas do Amaral sempre que vinham a Guimarães não perdiam a oportunidade de bebericarem um café ou degustarem uma rápida refeição no coração da cidade vimaranense.
Outro momento marcante do café, foi relatado por César Machado no seu livro "Guimarães - Daqui Houve Resistência", que recentemente soube-se que irá ser transformado em série televisiva. Assim, em 1958, durante a campanha eleitoral de Américo Tomaz, que enfrentava nas eleições presidenciais o General Sem Medo, Humberto Delgado, "No dia do comício de Américo Tomás no Teatro Jordão houve uma forte carga de pancadaria da polícia no Toural que varreu a eito gente da oposição e da situação. Quem pode enfiou-se no Café Milenário e a polícia entrou pelo café adentro à coronhada". Um naco de história de um momento que poderia alterar a história de um país...
Porém, para além disso, das conversas de amigos, das análises políticas e aos momentos mais ou menos felizes protagonizados pelo Vitória, será de lembrar o salão de jogos que, durante anos, existiu no primeiro andar. Quantos de nós subir aquelas escadas para uma partida de bilhar? De matraquilhos, ou como gostamos de dizer no Berço da Pátria, de pecebrico?


