A TASCA DO QUIM CONAS... UM MARCO DA GUIMARÃES ANTIGA...

A Guimarães de meados do século XX eram um manancial de tascas. Algumas, ainda, hoje existem como a dos Caquinhos, com a sua incomparável "Gusta" e a sua proverbial eloquência, o Porta Larga, o Meirão e tantas outras que marcaram o imaginário de quem alguma vez lá entrou.

Era a cidade profunda, em que doutores se misturavam com trabalhadores, onde as conversas cirandavam entre o Vitória e os seus feitos, as críticas políticas e sociais, sempre acompanhadas por um petisco e por uma caneca de porcelana de tinto carrascão.

Dentro destas, estará indiscutivelmente o inesquecível Quim Conas. Um nome obsceno, mas que nada tinha de calão, de provocatório... aliás, o senhor Joaquim, que até à sua morte liderou as hostes que bem serviam às mesas, nem sequer era o legítimo dono da alcunha. Essa pertencia ao seu primeiro patrão, que tinha uma tasca, também ela de "portas à cowboy" na Rua Gil Vicente e que era conhecido pelo Silvino...o resto vocês já perceberam!

Quando o empregado, depois de casar, resolveu montar o seu próprio negócio em Santa Luzia, levou com ele a alcunha e o savoir-faire que, durante mais de 50 anos, o distinguiu. Por lá passaram grupos de Nicolinos que marcavam de um ano para o outro a mesa, confrarias de bom comer e de melhor beber, grupos de tertúlias sempre com o tema na língua viperina e bem afiada.

Foi assim, até depois da morte do senhor Joaquim... continuaria até a Dona Maria deixar o mundo dos vivos, sempre com a ajuda da família.

Porém, isso é certo... não mais sairá da memória dos vimaranenses, até por ter sido imortalizado na obra de Capela Miguel, "50 Anos - Adega do Quim Conas."


 

Postagem Anterior Próxima Postagem