COMO SÓ NOS OCORRE JOSÉ TORRES E A FRASE QUE FICOU PARA A HISTÓRIA DO FUTEBOL PORTUGUÊS!

I - Deixem-no sonhar, como disse o velho seleccionador português! Não nos acordem do sonho lindo chamado Liga das Conferências e que tem feito o Vitória cavalgar orgulhoso, ao somar o décimo terceiro jogo na prova sem conhecer a derrota!

II - O Vitória passou dias a ser rebaixado pela imprensa espanhola. A ponto, de ontem na conferência de imprensa de antevisão ao jogo, Tiago Silva ter dado um murro na mesa e dizer que o Vitória de coitadinho não tinha nada. Algo que a imprensa espanhola teimou em ignorar e, pasme-se, hoje o jornal Marca fazia contas ao percurso bético até à final.

III - Com uma ala direita renovada, com Heverton a lateral e Umaro a extremo, os Conquistadores, durante a primeira metade, calaram o ambiente fervoroso do Benito Villamarin, a ponto de, em muitos momentos, só se ouvir os cânticos dos adeptos que saíram de madrugada da Cidade onde Nasceu Portugal.

IV - Assim, o Vitória durante largos períodos de tempo controlou o jogo, colocou o meio campo andaluz a correr feito barata tonta atrás da bola, num carrossel mágico, seguro e que chegou ao intervalo a pedir a vantagem... algo que, principalmente, Heverton teve nos pés após uma assistência açucrada de João Mendes. Alias, a pergunta será, apenas, como falhou?

V - E assim chegou-se ao intervalo, para na segunda metade, além da qualidade, o Vitória demonstrar carácter. Um carácter digno de Conquistadores, capazes de fazerem frente às adversidades, de gelarem a arrogância andaluz que sempre pensou ter o jogo na mão.

VI - A confirmar isso, o facto de, logo no início da etapa complementar, Bakambu, sem que nada o fizesse prever, adiantou a equipa da casa no marcador. Pensou-se que o Vitória iria sentir o toque! Que iria deixar-se abafar pelo ambiente andaluz! Que iriam as pernas tremer! Puro engano. Quase na resposta, João Mendes num remate belíssimo, capaz de merecer manchetes se fosse de outras cores, fez explodir de alegria os vitorianos colocados no topo do estádio. O Vitória empatava na resposta e, se dúvidas houvesse, a prosápia castelhana que conhecemos há 900 anos voltava a emudecer.

VII - A partir daí, a contenda equilibrou-se. Sentiu-se que o Vitória podia chegar ao tento da vantagem, ainda que o Betis, fruto das individualidades, continuasse a demonstrar capacidades. Numa espécie de roleta, a sorte sairia à equipa da casa, numa das poucas vezes que Isco teve capacidade para chegar à cabeça de área Conquistadora. Seria o final da mentalidade férrea vitoriana, caindo finalmente?

VIII - Absolutamente enganoso! Nélson Oliveira, que já não apontava um golo há quatro meses, desde o dia 02 de Dezembro, frente ao Gil Vicente, numa rotação tão bela quanto eficaz, levaria os 2000 vitorianos presentes no Benito Villamarin ao júbilo, ao êxtase. O Vitória voltava a empatar, mostrava ter um carácter inquebrantável, e ao "Rei na barriga" respondia com o Rei no peito, o Rei que nos ensinou a silenciar castelhanos, dando-lhes banhos de humildade.

IX - Agora, na segunda mão, é comprovar o que se viu em terreno rival e agreste. Igual atitude e qualidade poderá fazer com que os intrépidos Conquistadores continuem a viajar na estrada europeia... pelo menos, a rebater a arrogância do país vizinho, o Vitória já ganhou!

X - VIVA O VITÓRIA...SEMPRE!

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