COMO, COM DIFICULDADES, O VITÓRIA MATOU UM BORREGO E DISSE ESTAR BEM VIVO...

I - Ao sexto jogo, desde a chegada do Casa Pia à Primeira Liga, o Vitória conseguiu bater o Casa Pia. Foi a ferros, quase contra tudo e contra todos os que se encontravam no relvado e até à distância na Cidade do Futebol. Uma certeza que, provavelmente, para ser feliz tem de fazer mais do que muitos concorrentes da Primeira Liga e até marcar vários golos para, apenas, um contar.

II - Este momento de felicidade surgiu, novamente, por um herói improvável que merecerá uma palavra especial. Umaro Embaló parece ser um caso de estudo. Ainda com pouca confiança, com pouca disponibilidade em partir para cima do defesa contrário, a verdade é que foi decisivo em duas jornadas consecutivas, ao marcar no Dragão e, agora, frente aos Gansos.

III - Casa Pia, esse, que não fez jus à prosápia do seu treinador, João Pereira na antevisão à partida. Sabemos que o fulgor da juventude conduz a dislates verbais, mas as promessas do quinto posto e de ir ao D. Afonso Henriques jogar para ganhar, foram meras palavras. À excepção da parte final da primeira parte, a equipa lisboeta que actua em Rio Maior jogou à antiga portuguesa, apesar da referida puerilidade do técnico: fechadinha, a queimar tempo quando teve essa possibilidade e a procurar desestabilizar ao máximo a equipa de Luís Freire.

IV - Diga-se que o Vitória até entrou bem no jogo. A procurar causar instabilidade no último reduto contrário. A trocar a bola, projectando os extremos. Com Nélson Oliveira a fazer deslocamentos, de modo a causar confusão ao rival. Porém, fruto da estratégia casapiana, essas boas intenções ir-se-iam esvaziando ao longo da primeira metade, até acabar-se esta fase do jogo com os espíritos vitorianos inquietos.

V - Luís Freire terá sentido isso e ao intervalo resolveu dar um safanão ao jogo, trocando os extremos. Assim, optou por deixar Arcanjo e Vando Félix no banco, trocando-os por Nuno Santos e Umaro Embaló. Acertaria em cheio, com os Conquistadores, desde o primeiro minuto da etapa complementar, a criarem oportunidades, a ameaçarem descobrir o caminho para a felicidade que teimosamente parecia não surgir.

VI - Nessa viagem surgiria mais uma decepção originada pelo VAR. Umaro cruzou com conta, peso e medida para a cabeça do lateral João Mendes que colocou a bola nas malhas contrárias. Porém, o VAR descortinaria, de modo cirúrgico e geométrico um adiantamento. Um golo anulado com mais dúvidas que o negado a Nélson Oliveira no Dragão, na certeza que o instrumento tem servido para depauperar as pretensões dos Conquistadores.

VII - Assim, continuaria o jogo até ao momento da explosão. Um momento já narrado e que originou uma grande confusão. Uma confusão que já se encontra a ser narrada de modo parcial em várias publicações, mas que esperamos que as entidades decisórias, antes de aplicarem penas, ouçam todas as partes, dando-lhes o constitucionalmente garantido direito ao contraditório. Porém, se em alguns clubes incensaram-se chavões como "onde vai um vão todos" e outros semelhantes, já que ninguém o faz, teremos de elogiar o espírito de união vitoriano num momento de conflito... não é bonito, mas assim ganham-se grupos e atingem-se objectivos.

VIII - E, esse pragmatismo que pareceu durante grande parte do campeonato arredado do campeonato, parece estar de volta ao Vitoria. Entrou em campo Filipe Relvas, o Vitória fechou a porta, não teve vergonha de jogar feio, até de dar a provar ao rival do seu próprio rival, e garantiu três pontos, exorcizando de vez o trauma dos últimos minutos. Mais um fantasma que parece estar ultrapassado e, acima de tudo, a esperança de novo apuramento europeu a ganhar novo fôlego.

IX - Segue-se, agora, a viagem a Sevilha num duelo que promete ser apaixonante. Pela frente estará uma das melhores equipas de Espanha, que conta com jogadores como Isco (merece que se pague bilhete para ver como mexe os cordelinhos do jogo), Antony e mais alguns. Sem ser favorito, o Vitória se mantiver este rigor e esta abnegação poderá ter uma palavra a dizer e escrever mais uma página memorável da sua história europeia. Aguardemos com o espírito Conquistador, que serve de mote ao nosso clube, bem aceso!

X - VIVA O VITÓRIA...SEMPRE!

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