COMO LUÍS FREIRE NOS VAI CONVENCENDO, APESAR DO SEU TRABALHO DE FACIL NÃO TER NADA

I - Ponto prévio: quando Luís Freire foi escolhido para substituir à estrela (de)cadente Daniel Sousa, tivemos dúvidas que fosse a escolha acertada. Temíamos que o seu low-profile fosse em contraciclo com o modo de ser dos seus antecessores.

II - Apesar da derrota quase a abrir a sua aventura, depois do infeliz e habilidoso empate com o Arouca, no Estoril, cedo se percebeu o que a casa iria gastar. Humilde ao reconhecer que a equipa não estivera bem, mas corajoso para apontar-lhe o dedo num momento em que, provavelmente, não conhecia sequer o nome de todos os seus jogadores.

III - A coragem será, aliás, uma das suas maiores virtudes. Aceitou agarrar a oportunidade de

pegar num plantel reformulado em Janeiro, sem as estrelas da primeira metade do campeonato e refazer um conjunto com outra face e outra mentalidade. E, diga-se, que a equipa, depois do choque inicial, sem ser mais espectacular, é mais coesa e consciente da realidade.

IV - Consciência que faz o treinador, em vez de jogar para o espectáculo, para a auto-promoção, para ser adulado por uma imprensa sempre pronta a descobrir heróis, que tão depressa são colocados num pedestal para, ainda mais rápido, serem destronados, jogar para a essência do futebol: vencer! Para isso, não há pejo em colocar um terceiro central, um médio defensivo e fechar a porta, nem que para isso se tenha de jogar feio! E com isso acabaram os traumas de sofrer golos no último minuto e a equipa nas, últimas cinco partidas, sofreu um golo!

V - Por isso, também se acabaram os dogmas tácticos, que nem Guardiola ou Mourinho perfilham, mas que este ano chocamos de frente com eles no Vitória. Já vimos com Freire o Vitória a jogar em 4-3-3, a apostar no 4-4-2 e, como ontem, até acabar com três defesas. Um treinador, seja ele quem for não é divinamente iluminado, e deve saber adaptar o seu conjunto às contingências do jogo.

VI - Por isso, a partir deste momento, e esperemos que não, Luís Freire até poderá falhar e ter momentos de infelicidade. Mas que se está a revelar o homem certo no momento certo, isso ninguém poderá duvidar…

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