Diz quem a viu ter sido um dos melhores conjuntos que representaram o símbolo do Rei.
Aquele Vitória de 1974/75 terá sido dos conjuntos que se tornou inesquecível para quem a viu jogar.
Depois de Mário Wilson ter renovado o conjunto após um enorme susto na época de 1970/71, a temporada desse ano foi de uma declarada aposta que passou pela chegada de alguns jogadores que haveriam de ficar na história do clube.
Desde logo, Jeremias contratado no Brasil e que se revelou um enorme goleador, ao ponto de no final da época ser vendido ao Espanyol de Barcelona. Mas, também, o central Rui Rodrigues, proveniente da Académica, o brasileiro Pedrinho ao Gil Vicente e dois jovens que haveriam de entrar na história do clube: Bernardino Pedroto e o lateral Ramalho.
Depois de uma participação no Troféu Karl Rappan, percursora da Taça Intertoto, os Conquistadores estrearam-se no campeonato a golearem o Sporting de Espinho por cinco bolas sem resposta. Para a história haveria de ficar o primeiro onze composto por: Sousa; Ramalho, Rui Rodrigues, José Carlos, Osvaldinho; Custódio Pinto, Abreu, Ernesto; Romeu, Tito e Jeremias. Refira-se que, provavelmente, este tridente ofensivo será um dos melhores dos cento e dois anos de história vitoriana.
Porém, a derrota chegaria logo à segunda jornada no terreno da CUF, para, posteriormente, serem encadeados cinco triunfos consecutivos, com especial destaque para o êxito em Alvalade sobre o Sporting por três bolas a duas.
Num ano de exaltação ofensiva, em que o Vitória, apesar de ter terminado em quinto lugar, e com o segundo (Jeremias) e terceiro (Tito) melhores marcadores do campeonato, só atrás do terrível Yazalde, o argentino do Sporting, a Europa não seria conseguida.
Tal deveu-se à pesada suspensão que foi aplicada ao "abono de família" Jeremias, após ter sido expulso na primeira jornada da segunda volta em Espinho, e à famigerada arbitragem de António Garrido no decisivo jogo para a atribuição do quarto posto frente ao Boavista.
Mas, esta equipa, como Carlos Daniel disse em entrevista recente a um orgão de comunicação local, a Inquieta - Rádio e Televisão, ao referir-se à equipa de 1986/87 "não ganhou? Claro que ganhou! Ganhou a emoção de um clube (...) Como não ganhou? Claro que ganhou! Ganhou muito jogos e ganhou a paixão de um povo, ganhou a alma de um clube." E, julgamos, que tal, também, se aplicará a este inesquecível onze...
