"No mapa de castigos, pode ler-se que o castigo resulta do facto de Luís Freire ter saído "deliberadamente da área técnica para protestar uma decisão da equipa de arbitragem, pisando a linha lateral e gesticulando de braços no ar." No mesmo relatório pode ler-se que "no final do jogo o treinador veio ao balneário da equipa de arbitragem na presença do delegado da Liga pedir desculpa pelo seu comportamento, retratando-se."
Foi do modo transcrito que se deu a conhecer as razões que levaram à expulsão do treinador do Vitória, Luís Freire, após a anulação do golo vitoriano no Dragão.
Razões que conduziram a que fosse condenado à suspensão de um jogo, não podendo orientar do banco a equipa Conquistadora no desafio do próximo Sábado, frente ao Casa Pia.
Porém, desde o momento da prática dos factos, percebeu-se a dualidade de critérios que rege o futebol português e que tem operado, sempre, em prejuízo do Vitória.
Bastará lembrar o jogo anterior frente ao eterno rival minhoto, em que, por várias vezes, o seu banco levantou-se em conjunto para contestar decisões de arbitragens. O treinador Carlos Carvalhal chegou ao ponto de entrar em acesa discussão com o juiz, sem que daí viesse mal ao mundo.
Passados uns dias, no Dragão, tudo mudou. Numa modalidade de emoções, de paixões, após um golo anulado (por 19 cms!) e depois de ter sido festejado, o que esperava o árbitro António Nobre de Luís Freire? Que, talvez fruto de um Valium combinado com um Xanax, se mantivesse impávido no banco de suplentes e não mostrasse a sua desilusão, ainda que o fazendo sem ser mal-educado, sem insultar quem quer que fosse e sem discutir com algum dos decisores?
Mais do que isso, após a expulsão do treinador vitoriano, Jorge Costa, esse mesmo que sempre gostou de falar com a testa encostada a quem manda, entrou numa discussão com o mesmo juiz. Vamos repetir:uma discussão, algo que Freire, não fez! Viu cartão amarelo e continuou no banco de suplentes.
Mais do que isso, Luís Freire ainda teve um acto que deveria servir de atenuante. Ainda que não tivesse feito algo de pecaminoso ou de indecoroso foi desculpar-se ao balneário do juiz. Ora se o arrependimento foi valorado como deveria ter sido, com quantos jogos iria ser castigado o treinador se não o tivesse feito?
Note-se que isto aconteceu num
futebol que albergou no seu seio e nos seus bancos homens como Jorge Jesus ou
Sérgio Conceição... o que seria deles se tivessem de lidar com esta sanha
justiceira de quem decide?
