ANÁLISE DE UM DEBATE CHEIO DE OPOSTOS, MAS QUE CADA QUAL FARÁ O SEU JUIZO...

I - Foi um debate em que esperava mais do que realmente aconteceu.

Aliás, em certos momentos, terá havido, de modo surpreendente, um António Miguel Cardoso mais ao ataque do que se previa e um Luís Cirilo a não ser tão acutilante como se impunha em certos temas.

II - Fora os ataques e "trocos", com que os dois contendores se dedicaram a mimosear o outro, Cardoso terá conseguido esquivar-se com facilidade inesperada ao escrutínio do candidato da lista A. Porém, essa fuga, surgiu, de modo inesperado em alguns momentos, como a justificar que, depois de uma reunião de 6 horas, a candidatura pretendente não teve as contas como pretendia por não ter sido insistente. Ora, num acto eleitoral, já partindo em vantagem quem se encontra no poder, o argumento da falta de insistência nunca poderá ser utilizado.

III - E aí poderemos entrar em outro ponto, que passará pela relação com a VSports. Uma relação que, cada vez mais, suscita dúvidas pelo actual presidente ter referido que o acordo parassocial caiu, o que indicia que deixou de haver uma relação de parceiro na SAD por este órgão, e de a mesma só poder ser investidor quando o Vitória tiver as contas positivas. Se assim é, lembrando que foi referido que o passivo, apesar das vendas de Janeiro, diminuirá cerca de 10 milhões de euros, tememos não saber quando a propalada parceria produzirá efeitos.

Mas, algumas questões ficam: Cirilo falou em procurar outro investidor. Mas como? A troco de quê?O que será necessário, caso seja decidido libertar a SAD do parceiro? Não conseguiu dizer, nem Cardoso esclareceu, deixando os vitorianos a saberem o mesmo...

IV - E aqui terá escapado pela falta de ataque do seu oponente que, surpreendentemente, não se agarrou como devia a estes pontos. Ora, se a Lista B não fez campanha, não entrou em discussões durante este período, era a oportunidade para tocar nesses pontos que colocam dúvidas aos vitorianos e, ainda, conseguiu tocar num ponto sensível que eram as funções de Luís Cirilo na Comissão do Centenário, no sentido de os restantes elementos desta não saberem as condições do acordo que este tinha com o Vitória.

V -A questão do passivo também suscitará dúvidas. Assim se Cirilo engrandeceu o passivo da SAD para 71 milhões de euros, Cardoso justificou-o com a aposta desportiva na entrada na fase de Liga da Liga das Conferências e com "receitas record", Cirilo rebateu isso com falência técnica e a incapacidade em inverter essa curva. Terá faltado perceber em que passo está o cumprimento do PER, sempre empurrado para a frente desde 2013, e o passivo do clube que terá de ser também ponderado.

VI - Depois, as constantes divergências. As razões da contratação de Beni Mukendi, enquanto Cardoso olha para uma aposta desportiva, Cirilo remeteu para uma jogada financeira. O papel da relação com a MAF e a possibilidade de reversão das acções. Sempre com Miguel Pinto Lisboa no horizonte, com a sua gestão e as ligações ou (des)ligações dos candidatos a este.

VII - Realce, também, para a análise à política desportiva levada a cabo pelos dois pretendentes. Terá faltado uma explicação maior na questão de compras e vendas, como justificando a excelência de André Silva que chegou ao São Paulo para ser vendido com uma menos-valia de 800 mil euros. E, se isso, poderia ser um calcanhar de Aquiles para o actual presidente, faltou a Cirilo tentar tirar o presidente em exercício da zona de conforto, relativamente a esse negócio, mas, também o de Dani Silva e de Ricardo Mangas.

VIII - Num debate destes, terá faltado maior concretização dos projectos futuros. Principalmente, Cirilo que tinha a necessidade de aí primar pela diferença. Terá faltado concluir o que é "treinador à Alex Ferguson", ainda que a alocução que "não sei como vão abrir-lhe a porta na Segunda-feira" soasse a desnecessário, lembrando que uma campanha é feita de argumentos, contra-argumentos e contraditório.

IX - Tal levar-nos-á ao treinador Luís Freire, em que António Miguel Cardoso terá dado a entender ser o seu treinador para o mandato, numa promessa que percebendo a velocidade em que as coisas ocorrem no futebol pareceu demasiado ousada. Entretanto, Luís Cirilo deixou a porta entreaberta, deixando na dúvida se Freire será um técnico à Ferguson ou estará longe disso...

X - Num ponto, contudo, os candidatos convergiram. A necessidade da concretização da nova academia, propondo-se ambos os candidatos a conseguirem que a mesma veja a luz do dia, ainda que em moldes diferentes. Porém, acima do modo que a mesma deve ser interpretada e projectada, a verdade é que o reconhecimento da necessidade de resolver um problema que vem merecendo a atenção dos vitorianos há dez anos, merecerá o nosso aplauso. Ainda que terão faltado o explanar das acções para chegar ao fim desejado!

XI - Em suma, a certeza que os candidatos partilham três admirações comuns: Vitória, Sebastian Vettel e Rafael Nadal. Porém, quanto aos dissensos, a maioria deles terão ficado sem resposta, valendo a consciência e a opinião de cada um!

 

XII - Candidatar-se ao Vitória é um acto de enorme nobreza. É a prova de que o clube é atractivo. Os comentários jocosos e ofensivos a ambos os contendores durante o debate foram o que de pior se pôde assistir. Esquecendo-se que vivemos numa sociedade democrática, em que podemos concordar ou não com o ponto de vista dos candidatos, mas devendo-lhes estar gratos pela coragem em tentar levar o clube em frente, tais escritos e palavras em nada enobreceram um clube centenário...e quem perdeu o seu tempo nessas aleivosias, deveria reflectir se está a prestar um bom serviço ao símbolo que diz amar.

XIII - Acima de tudo, amanhã que vença o Vitória, saindo um clube fortalecido e unido para o próximo triénio. Será esse o segredo dos sucessos que todos desejamos! VIVA O VITÓRIA...

 

XIII - Acima de tudo, amanhã que vença o Vitória, saindo um clube fortalecido e unido para o próximo triénio. Será esse o segredo dos sucessos que todos desejamos! VIVA O VITÓRIA...

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