O SPECIAL TWO SOBRE O QUAL ATÉ MOURINHO SE ENGANOU...

Vítor Pontes fora guarda-redes do Vitória. Proveniente da União de Leiria, seria durante as temporadas de 1985/86 e 86/87, suplente de Jesus, por essas alturas, provavelmente, o melhor guarda-redes português ou, pelo menos, a discutir essa honra com Bento.

Por isso., resolveu abandonar Guimarães para tentar ser feliz em outras paragens, como Elvas ou Loulé, para acabar a carreira de jogador profissional na AD Guarda.

Mal sabia que haveria de voltar para entrar na história...ainda de modo negativo.

Estávamos na temporada de 2005/06. Vítor, depois de ter sido adjunto de um tal de José Mourinho, houvera realizado um trabalho razoável na União de Leiria. Sem grandes momentos dignos de registo, mas sempre pautado pelo equilíbrio. O equilíbrio que parecia faltar a um Vitória que arrancara para a temporada a sonhar com a reafirmação europeia, mas que parecia em queda livre para os piores lugares da tabela.

Por isso, após a inenarrável derrota dos Conquistadores em casa frente à União de Leiria por três bolas a zero e que custou o lugar a Jaime Pacheco (que, para além do lugar, deixou a aura de D.Sebastião) e a comissão de serviço de Basílio Marques, que ainda assim foi capaz de vencer em Penafiel, a aposta para orientar a equipa recaiu em Vítor Pontes, que chegava a Guimarães com a seguinte carta de recomendação "Se alguém pode dizer que é meu seguidor, é Vítor Pontes." Carta essa, assinada por Mourinho, na altura na "crista da onda " em Londres, ao serviço do Chelsea.

Nas suas primeiras palavras assumiu não querer fazer promessas, não querendo, por isso, falar em... apuramentos europeus! Tinha razão, ainda que o empate inicial conquistado no Bessa, graças a mais um extraordinário golo de Marek Saganowski, pareceu indiciar que o Vitória tinha tudo para fugir aos piores e mais indesejados lugares da tabela.

Porém, seria fogo de vista... Pontes demoraria oito jogos para conseguir vencer para o campeonato, ainda que tais malogros fossem mascarados pelos triunfos que iam mantendo o Vitória na Taça de Portugal. Esse momento de êxito na liga acabaria por surgir na Madeira, frente ao Marítimo, num momento em que as sirenes de alarme já haviam sido todas accionadas e em que, provavelmente, a paciência já deveria ter sido esgotada.

Não o foi e o Vitória seria capaz de entrar na melhor fase do campeonato, que pareceu que iria acordar do pesadelo. Puro engano! Com efeito, a equipa afundou-se nos seus piores medos e não teve um líder capaz de a resgatar. Bastará lembrar o "naufrágio psicológico" sofrido após o empate em Paços de Ferreira ou a eliminação nas meias-finais da Taça de Portugal em Setúbal nas grandes penalidades (uma tradição vitoriana perder desempates desta forma) com os golos da desilusão vitoriana a surgirem no último minuto. Azar, sem dúvida, mas também a constatação de uma equipa insegura, frágil psicologicamente, sem liderança capaz de a manter tranquila e a acordar do medo de poder ser feliz... em suma, uma liderança completamente antagónica da preconizada por José Mourinho!

Assim, a equipa acabaria engolida pelos seus próprios medos, ao qual se juntaram arbitragens sempre em seu prejuízo. Deste modo, quando após a derrota no Estádio do Dragão, onde mais uma arbitragem prejudicial arruinou todas as oportunidades de um resultado positivo, como Pontes disse "restava acreditar até ao fim" numa miraculosa sequência de resultados.

Não sucederia e o Vitória, quarenta e oito anos depois, caía na segunda divisão, perante a incredulidade do país desportivo. Pontes, esse, depois de ter mostrado, para além de incapacidade táctica para manter certos jogos sob controlo e incapacidade de liderança para evitar o descalabro psicológico do grupo, mostraria dificuldades na auto-avaliação do seu trabalho: " - Este é um dia muito triste, mas não é para avaliar o que correu menos bem. (...) Eu, enquanto treinador, também tenho as minhas responsabilidades, mas apesar do que aconteceu, porque a vida tem destes momentos menos bons, mas não perco a auto-estima. Sei que tenho capacidades enquanto treinador."

Abandonaria o Vitória após este momento, comprometendo-se com o Portimonense. O seu último trabalho foi na temporada de 2020/21, no Dibba Al-Hisn dos Emiratos Árabes Unidos, como adjunto de Rui Nascimento...uma figura lendária dos melhores anos vitorianos!

Caso para se dizer, que até Mourinho, um dos melhores treinadores do mundo, por vezes, também se engana!

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