Os adeptos vitorianos sempre foram determinantes no êxito dos Conquistadores. Sempre andaram com eles ao colo rumo aos êxitos. Por alguma razão, a camisola nº12 haveria de ser retirada como agradecimento a quem empurra as várias equipas vitorianas para os êxitos.
Porém, houve um dia que não foi assim. Aquela temporada de 1961/62 começou sob o signo do desastre. Com os adeptos a criticarem o treinador Artur Quaresma por ter dispensado Ernesto Paraíso, o avançado que durante anos foi a estrela da companhia. Com um péssimo arranque, com apenas um ponto conquistado em três partidas.
Por isso, naquele dia 29 de Outubro de 1961, a Amorosa era um barril de pólvora. Frente ao Beira-Mar só um resultado era admissível e esse era o triunfo.
Porém, mesmo antes do jogo, se pressentia que algo pudesse correr mal. Como escreveu o jornal Notícias de Guimarães de 05 de Novembro de 1961, "em Guimarães, por premeditada intenção, levado mais por amizades pessoais, que os interesses do Vitória, criou-se um ambiente das mais funestas consequências." Fruto disso, os jogadores, segundo a publicação consultada, entraram intranquilos em campo, paralisados, dando a entender que "que jogam mais tranquilos longe da Amorosa, que neste campo..."
Contudo, a verdade é que a alinhar com Ramin; Caiçara, Daniel; João da Costa, Silveira, Virgílio; Ferreirinha, Pedras, Amaro, Romeu e Augusto Silva, graças aos tentos de Amaro e de Romeu, o conjunto vitoriano dobrou a meia hora a vencer por duas bolas sem resposta, ainda que "não há ninguém que estivesse na Amorosa, que não verificasse que a equipa do Vitória foi sistematicamente criticada, mesmo no período em que esteve em vencedora."
Mas, a crítica à atitude de quem estava nas bancadas ia mais longe. Deste modo, considerando o armador e o médio volante as pedras mais importantes do jogo, "o Vitória perdeu esse fulcro por instigação dos adeptos. Estes, em vez de incitar a equipa que se havia adiantado no marcador, deram-se ao devaneio de ditarem tácticas pessoais, as quais quebraram a estrutura do conjunto vimaranense e deram o descalabro que se verificou." Chegou-se ao ponto de "com o intencional desígnio de atingir o treinador, assobiou-se a equipa, mas quando ela tinha vantagem no marcador." O barril de pólvora explodiria, o Beira-Mar reduziria antes do intervalo e haveria de conseguir operar a reviravolta no marcador na segunda parte, vencendo o jogo.
Atendendo ao sucedido, o presidente do Vitória, Casimiro Coelho Lima, solidário com o seu treinador, cravejado de críticas, apresentou a sua demissão, sendo acompanhado pelos demais elementos dos órgãos sociais. Apresentaria as suas razões, passados uns dias, ao Conselho Geral do clube, onde "concluiu-se que, fundamentalmente, têm sido desvirtuadas diversas situações, pelo que convinha um esclarecimento amplo à massa associativa do clube", solicitando-se, também, a Casimiro Coelho Lima para revogar a sua decisão. O Vitória vivia horas de indefinição e, como tantas vezes tem sucedido ao longo da sua existência, de instabilidade...
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