Há casos no Vitória em que os "patinhos-feios" ameaçam eternizar-se...
Desde o primeiro momento em que envergam a camisola do Rei até que a largam, a tolerância para as suas exibições é muito menor do que as protagonizadas por outros jogadores que, fruto do curriculum apresentado ou até pelas esperanças depositadas, são credores de um superior grau de tolerância.
Walter Estrela foi um dos que pertenceu ao primeiro grupo. Daqueles que merecem a desconfiança dos adeptos, até pelo facto de ter sido contratado à Académica, clube que naquela temporada de 1994/95 actuava na II Liga.
Mas, mais do que isso, Walter foi visto como um pé-frio nos seus primeiros tempos vitorianos. Estreou-se em jogos oficiais à quarta jornada em Braga, no derby eterno, no lugar de Quim Berto e o Vitória haveria de averbar a sua primeira derrota no campeonato. Apesar de ser lateral direito, foi actuado ao lado esquerdo da defesa, realizando uma exibição esforçada, mas que em nada se destacou numa tarde que diga-se foi de desacerto colectivo.
Só voltaria a jogar mais de quatro de meses depois, em Dezembro desse ano... novamente, para aparecer associado a uma dolorosa derrota. Novamente na lateral esquerda, esteve no onze que foi eliminado da Taça de Portugal pelo secundário Louletano, em mais um daqueles choques que só o Vitória é capaz de protagonizar... não fossem os Conquistadores o clube do principal escalão com mais eliminações na prova rainha do futebol português às mãos de equipas secundário.
Por isso, aquela oportunidade também seria desperdiçada. Walter parecia não ter capacidade para singrar nos Conquistadores, até que surgiu aquele jogo da segunda volta do campeonato. Outra vez contra o Braga. Mas, desta feita, no D. Afonso Henriques. E, desta feita, a aproveitar a impossibilidade do lateral direito José Carlos em actuar, jogaria a lateral direito... na posição para a qual fora contratado.
Faria um bom jogo, ajudando o conjunto vitoriano a vence por quatro a dois, graças aos golos de Tanta, Gilmar, Zahovic e Emerson. Como escreveu o Notícias de Guimarães de 24 de Fevereiro de 1995, foi "Um Toque de Magia", concretizando que "frente aos rivais bracarenses, o Vitória realizou espectacular exibição. Marcou golos (muitos) e proporcionou espectáculo!"
A ajudar esteve o lateral direito, que no final, em entrevista ao jornal consultado, não cabia em si de contente, pois, apesar do apoio de toda a estrutura vitoriana e dos colegas de equipa sentia que "o presidente e o treinador eram "massacrados por terem-me ido buscar a Coimbra. Custava-me saber isso! Eles confiaram em mim, por isso tinha de retribuir essa confiança."
Porém, algo mais mexia com aquele homem, que abria o coração no conforto do triunfo. No fundo, algo que era irrefutável e que ajudava a perceber o seu estado de espírito: " - Foi a primeira vez que ganhei pelo Vitória. Joguei no meu lugar e ganhei. O importante é isso! Nunca tinha ganho, quando eu jogava o Vitória perdia!"
Não obstante isso, não mais jogaria nessa época... mas, pelo menos, estava em paz! A sua maldição houvera sido quebrada e isso era o que mais valia...
