Foi uma das grandes apostas para aquela temporada 1994/95.
Guarda-redes de créditos firmados no Brasil, principalmente no Flamengo, que o fizera ser convocado para o Mundial de 90 em Itália, houvera brilhado a grande altura durante duas épocas no Farense, na sua primeira experiência europeia.
Era Zé Carlos, um guardião alto e de bom porte, destinado a substituir Brassard que, em Guimarães, não tinha confirmado as credenciais que haviam feito dele campeão mundial de sub-20 anos antes.
E, assim seria nos primeiros jogos do campeonato. Titular no onze de Quinito, teria o seu primeiro percalço à décima primeira jornada, quando após uma derrota por três bolas a zero frente ao FC Porto, Quinito resolveu apostar em Madureira. O Vitoria ia numa série de cinco jogos sem triunfar e o treinador decidiu tentar a sorte com outro guarda-redes... colocando Nuno Espírito Santo no banco e o brasileiro na bancada. Porém, aos dezassete minutos dessa partida, o guardião lesionar-se-ia o que haveria de proporcionar uma inesperada estreia de Nuno, até aí terceiro guarda-redes.
Tal faria com que o brasileiro voltasse na jornada seguinte em Chaves, provavelmente, mais rápido do que julgava... para passados quatro jogos, e já depois ter feito parte da equipa que foi eliminada em casa pelo secundário Louletano, encontrar a infelicidade.
Estávamos no último dia do ano de 1994 e o Vitória no Restelo jogava cartada determinante para sacudir os espectros da eliminação supra-referida. Porém, os Conquistadores iriam para o intervalo a perder, num lance que, para o Notícias de Guimarães de 06 de Janeiro de 1995, o guarda-redes foi muito infeliz. O Vitória, na segunda metade daria a volta ao texto, graças aos golos de Pedro Barbosa e de Ziad, mas o pesadelo do brasileiro ainda não tinha acabado. Seria expulso aos 88 minutos, num lance que, para o jornal consultado, "a mostragem do vermelho (segundo amarelo) a Zé Carlos foi estúpida! É certo que o guarda-redes do Vitória já o estava irritar (ao árbitro Paulo Costa) com as perdas de tempo, mas naquele lance ele apenas pretendia marcar um livre a meio do seu meio campo."
Voltava a sair da equipa, e com Madureira a recuperar da lesão que sofrera no momento em que tivera a sua oportunidade, a baliza regressaria para Nuno que pareceu durante seis partidas ser aposta definitiva para Quinito. Porém, após o empate a três em Santo Tirso e mais dois golos sofridos frente ao SC Braga, ainda que o Vitória triunfasse por quatro a dois, seguia-se o jogo em Aveiro, perante o Beira-Mar, e Quinito voltou a chamar o guarda-redes que fora uma das grandes contratações vitorianas para aquele exercício e que, na ânsia de recuperar o lugar, realizara sessões de treino extraordinárias, segundo as publicações por nós consultadas.
Estávamos a 25 de Fevereiro de 1995, e a equipa composta por Zé Carlos; José Carlos, Tanta, Basílio, Quim Berto; Pedro Martins, N'Dinga, Zahovic; Emerson, Gilmar e Pedro Barbosa entraria em grande estilo. Aos 21 minutos do desafio já vencia por três bolas sem resposta, graças aos golos de Emerson, Gilmar e Zahovic. Mas ainda antes do descanso, o conjunto aveirense haveria de reduzir para a diferença mínima num desafio em que, como escreveu o Notícias de Guimarães de 03 de Março de 1995, "a infelicidade de Zé Carlos nos golos e noutros lances, a roubar a tranquilidade à equipa e aos seus adeptos."
Porém, no final, a equipa conseguiria segurar o triunfo e "um pormenor positivo foi da claque do Vitória ter apoiado ao longo do jogo, sobretudo na segunda parte, Zé Carlos, num momento em que ele mais precisava desse apoio." Como prova desse carinho e desse reconhecimento, o canarinho ofereceria a sua camisola aos adeptos no final dessa partida, num sinal do extraordinário ser humano que era e que o fez deixar amizades no Vitória até ao final da sua vida, em 2007.
Contudo, não mais haveria de jogar de Rei ao peito, mudando-se na época subsequente para o vizinho Felgueiras, entretanto promovido ao principal escalão do futebol português... sendo substituído no Vitória por Neno, que regressava ao Vitória para cá ficar, não só até ao final da carreira, mas da sua vida!
