Estávamos na temporada de 1994/95...
No início desse exercício, em que Quinito pôs o Vitória a praticar um futebol de alto quilate, surgiu uma jovem claque que a todos impressionou.
Os Insane Guys, cuja primeira deslocação foi a Leiria, naquele jogo em que Jorge Coroado lesou gravemente os interesses vitorianos, saltariam para a ribalta aquando do jogo contra o FC Porto, em que os Super Dragões invadiram o relvado do estádio do Vitória com gestos provatórios para todos os adeptos.
Porém, na imprensa nacional sempre pronta a atacar o Vitória, levou-os a terem que promover um encontro com os jornalistas onde manifestaram a sua defesa, alegando, acima de tudo, que não tinham sido eles os primeiros a defenderem-se da fúria da claque adversária, tendo isso sucedido por iniciativa de sócios comuns.
Num terrível vendaval mediático teriam (pasme-se!) de se defender de acusações de pertencerem à extrema-direita, "pois, somos tão somente uma claque organizada por um grupo de 25 amigos, que defendemos o emblema do nosso clube e a nossa cidade."
Mais do que isso, "a eminente ofensa à integridade física dos sócios do VSC originou, em legítima defesa, o arrombamento em primeiro lugar da porta sul da bancada lateral de onde saíram os primeiros sócios do Vitória e só depois foi derrubada a porta mais a norte da mesma bancada, onde saíram os sócios do Vitória e elementos da nossa claque."
Apesar dessa defesa, a verdade é que, como já dissemos, a imprensa apressou-se a condenar os jovens vitorianos. Havia, como sempre sucede, proteger os de sempre e tal levou que o jogo seguinte, em Barcelos, frente ao Gil Vicente, o país estivesse de olhos postos no jogo...esperando, secretamente, que nas bancadas descambasse a confusão para voltarem a apontar o dedo aos Insane.
Porém, após uma partida terrivelmente disputada, em que Gilmar adiantou o Vitória no marcador, para, posteriormente, ser permitido aos Galos dar a volta no marcador, seria Ricardo Lopes a fixar o score final num empate a dois, que não permitia ao conjunto Conquistador aproximar-se do terceiro lugar ocupado pelo Benfica.
Mas, o mais relevante haveria de acontecer nas bancadas. Depois das duas claques terem estado separadas, durante jogo, por um enorme cordão policial, "no final, um grupo de jovens, muito jovem, adeptos do Gil Vicente invadiu pacificamente o relvado e colocando-se em frente ao local onde estavam os Insane Guys, dirigiram-lhes uma forte ovação que imediatamente foi retribuída."
Era um sinal que no futebol havia espaço para amizade e respeito.... e que os Insane mereciam a admiração de outros grupos!
