Não queríamos voltar tão cedo ao tema das eleições.
Aliás, decerto nem nos queríamos imiscuir mais nele.
Já dissemos algumas das coisas que pensávamos, mas sempre sem nos preocuparmos com nomes. O presidente do Vitória será sempre credor do nosso respeito, mas, também, das nossas indagações.
Por isso, há vários temas que, a nosso ver, têm de servir de cartilha para quem quer ser merecedor da máxima confiança vitoriana.
I - Contas equilibradas:
Temos um passivo estrutural, isso já nós sabemos.
Também sabemos, e alertamos para isso, que a ilusão das últimas contar era apenas isso… um exercício baseado em proventos extraordinários e que, por isso, não reflectiam qualquer mérito da administração vigente.
Por isso, nunca alinhamos em falácias de resultados record, nem em cartilhas a propagar algo só baseado nos números, mas sem qualquer contexto… e alertamos para isso!
II - Relações com parceiros:
Poucos conhecem o teor do acordo parassocial com a VSports.
Nem sabemos se do mesmo impendem algumas obrigações ou ónus para o Vitória.
Mas, dizendo-se “à boca cheia que o Vitória é nosso, importará que todos os associados conheçam as linhas mestras dos mesmos.
Aliás, como será possível pensarmos na entrada de alguém novo, se é do desconhecimento geral os privilégios do actual parceiro?
III - Estabilidade:
A estabilidade deve ter várias vertentes.
Mais do que a constatada dança de presidentes, a verdade é que estes têm abandonado o clube, fazendo os sócios sentirem-se desamparados, com um projecto a meio, por concluir, com poucas pontes que possam servir para o futuro.
Mais do que muito tempo, importa que o despendido em prol da causa vitoriana seja útil…
IV - Coragem:
Sabemos que uma agremiação desportiva não é uma linha de produção.
Sabemos, também, que no desporto, como em outras actividades, há que investir para futuramente colher proventos.
Mas, ainda sabemos que há que ter coragem… para cortar!
Aliás, tem sido um dos chavões mais utilizados na realidade do clube mas menos colocados em prática.
Há que ter coragem para explicar as decisões, mas, acima de tudo, para as colocar em prática.
V - Comunicar:
Tem sido dos principais defeitos dos líderes vitorianos: a comunicação.
Seja dos presidentes, sempre com discursos evasivos, prontos “a dourar a sua pílula”, seja dos que são escolhidos, na sua grande maioria, para passarem a mensagem e que, ainda com honrosas excepções, são mais papistas do que o papa.
VI - Responsabilidade:
Mais do que egos ou desejo de ver o nome nas parangonas dos jornais, deverá estar o Vitória.
Respeitá-lo é avançar com consciência, com um projecto que seja exequível e não defraude quem o ame.
E mais… sentir-se que se é capaz, de imediato, aportar as melhores soluções.
Mas não se pense que existem receitas mágicas. Não acreditamos que ninguém tenha entrado no Vitória com a intenção de fazer o melhor que podia e sabia.
Todavia, entrar com a esperança de que tudo se vai resolver por si, será um erro crasso…
Esperar que as receitas extraordinárias (leia-se vendas que terão sempre de existir) resolvam os problemas sofrerá uma cruel desilusão.
Acreditar que haverá quem estenda a mão nas horas difíceis, será meio caminho andado para o Vitória ficar exposto a quem com ele se quererá locupletar.
Por isso ser presidente do Vitória será sempre um enorme orgulho… mas, ao mesmo tempo, uma missão que (muito) poucos serão capazes de desempenhar!
