RECORDANDO CASIMIRO COELHO LIMA... QUE TINHA O QUE ERA PRECISO PARA SER PRESIDENTE DO VITÓRIA, E HOJE?



Ontem, em conversa com um ilustre vitoriano, daqueles que vale a pena falar pelos muitos quilómetros que já bateu em apoio ao Vitória, entre tantos nomes, surgiu o de Casimiro Coelho Lima.

Desde logo, merecedor de um lugar na história por ter sido o primeiro presidente a levar o Vitória à conquista de um belo quarto lugar.

Mas foi mais do que isso. Depois da glória desse momento, na época seguinte, vivida cheia de dificuldades, demonstrou algo que deverá permanecer sempre na memória de todos. Com o treinador Artur Quaresma incapaz de manter o ritmo do ano anterior, sendo contestado pelos adeptos e até pelos jogadores que, segundo reza a história, até um abaixo-assinado fizeram para que o técnico fosse despedido, não actuou com populismos. Demitiu-se, também ele, mostrando desapego do lugar, ao invés do que se faz hoje, em que se servem as cabeças dos técnicos para se proteger as dos presidentes.

Acabaria por abandonar o Vitória desiludido com a contestação sofrida, mas merecendo sempre o rótulo de grande vitoriano. Um título que, mesmo na antecâmara de presidência do clube que sempre amou, já era associado à sua pessoa, como se comprova pelo artigo do Notícias de Guimarães de 10 de Julho de 1960.

Aqui, era considerado o "amparo primário do Vitória." Além disso, "foi o homem da bancada, vivendo a sua construção hora a hora, dia a dia, do princípio ao fim; deu seu esforço à concretização das aquisições valorantes que para o Clube houve necessidade de fazer; andou, diligente e persistente, na colheita de fundos que as ajudaram a possibilitar; assistiu à secção de Futebol sem um instante de desfalecimento, permanentemente e activo; multiplicou-se nas múltiplas acções directivas que não permitem escusas, nem justificam ausências..." Em suma, um vitoriano de mão cheia, com amor desprendido pelo clube, sem qualquer interesse que não fosse o seu engrandecimento.

Mais do que isso, e a comprovar que eram outros tempos que se viviam, "deu tanto esforço ao Vitória, perdeu tanto tempo dos seus afazeres com ele, abriu-lhe tão generosamente a sua bolsa, que não pode (....) vê-lo descer, degrau a degrau também, e escada abaixo, no caminho duma mediocridade que seria eterna vergonha dos que se prezam de ter nascido nesta terra de Guimarães." Uma verdadeira miragem no século XXI, altura em que os homens, apesar de liderarem as coletctividades, não se misturam com elas a ponto de o fracasso ou as vergonhas delas serem igualmente as deles.

Por fim, ficava um apelo que ainda poderia ser utilizado hoje, de modo a impedirmos a chegada dos arrivistas ou alpinistas sociais que poderão olhar para o Vitória como um meio de projecção: "O Vitória precisa dos seus homens de sempre, neste instante de dificuldades da sua vida. Apelamos a todos eles que rodeiem Casimiro Coelho Lima de apoio que a sua dedicação justifica e esta não desfaleça para se ficar, se assim for, com a certeza de que a rota gloriosa do Vitória não se quebrará." Uma verdadeira força inspiradora de vitoiranismo naqueles tempos mas que deveria ter sido sempre inspiradora para o futuro... mas terá sido mesmo?

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