O HOMEM QUE O VITÓRIA SALVOU... PARA AQUI TOCAR A ETERNIDADE...

Estávamos na temporada de 1965/66...

Os jogadores vitorianos exultavam graças ao golo de Djalma que ajudaria a bater o Sporting por três bolas a duas. Entre eles, de braço bem erguido, o seu parceiro de ataque e um dos avançados mais marcantes da história do clube e aquele que haveria de se tornar o primeiro internacional AA português da história do clube. Falamos de António Mendes.

Mendes chegou a Guimarães na temporada de 1962/63, incluído no negócio que levou Augusto Silva e Pedras para o Benfica. Chegado a Guimarães já homem feito, houvera estado nas duas equipas encarnadas que tinham conquistado a Europa em anos consecutivos, apesar de não ter sido titulado em alguma dessas ocasiões.

Mas, com o treinador Guttmann, o Velho Feiticeiro, jamais seria feliz. Como era escrito em reportagem da revista Ídolos do Desporto de 1966, "nunca uma oportunidade lhe foi dada, ele que sabia jogar a bola era um rematador de grandes méritos. Mas, honestamente, hoje ainda, Mendes confessa: talvez, o Sr. Guttmann tivesse razão. Eu era um louco, nessa altura."

Seria com esse misto de genialidade e de loucura (não serão todos os génios um pouco excêntricos?) a pontuar-lhe o espírito que haveria de chegar ao Vitória, o que causou mesmo a estupefacção geral já que "Como é possível aceitar uma vida de província, num clube de província, num ambiente calmo e sem outros horizontes que não sejam os de jogar a bola, treinar e repousar?"

Seria, contudo, esta bucólica combinação que lhe haveria de salvar a carreira, aliado à dedicação dos "dirigentes do Vitória que me acolheram com carinho e me compreenderam, e ao meu primeiro treinador no Vitória, o argentino José Valle. Segundo o jogador, o trabalho de todos modificou a sua maneira de ser, de jogar e até de pensar.”

Tornar-se-ia uma lenda, capaz de marcar 114 golos em 257 partidas, divididas em 9 épocas de Rei ao peito, ficando com a certeza de que "se tivesse continuado nos encarnados é quase certo, dado o que se tinha passado entre mim e o Sr. Guttmann, que não voltasse a desfrutar de grandes oportunidades. Morreria para o futebol."

Assim, a sua aposta nos Conquistadores haveria de revitalizar-lhe a carreira, já que, como confessou, "indo para o Vitória, reencontrei-me e realizei-me como jogador do futebol.” Para entrar, para sempre, na para lá de centenária história do clube...

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