GIL LAMEIRAS MERECE SER FELIZ, MAS...

Parece estar decidido, ainda que não seja oficial. Gil Lameiras será o novo treinador da equipa principal do Vitória, tornando-se no treinador mais jovem alguma vez a treinar os Conquistadores.

Será um reconhecimento justo para um jovem que, desde que entrou no Vitória, deu provas atrás de provas da sua competência, aliado a ideias vincadas que sempre fizeram com que as suas equipas jogassem futebol com a sua marca.

Aliás, terá um mérito que, independentemente do modo como corra o maior desafio da sua curta carreira profissional, jamais poderá ser esquecido. Com ele, os vitorianos foram capazes de se deixarem seduzir por uma equipa B que parecia ter entrado numa estrada sinuosa e sem saída. Com ele, olhou-se com redobrada esperança para os jovens que nela militaram, potenciando-os, mas sem prescindir de que olhassem para todas as partidas com ambição, com "sangue nos olhos" e vontade de vencer. Por isso, durante as últimas semanas foi recorrente ouvir-se que "antes prefiro assistir ao jogo da equipa B do que da A, que ao menos os miúdos têm alma e qualidade."

Serão esses os predicados que procurará levar para a equipa A. Num grupo que tem jogadores mais velhos do que ele (Abascal e Nélson Oliveira por exemplo), onde jogará no enorme D. Afonso Henriques ao invés do Campo Nº5 da Academia e com um grupo desmotivado ao invés do ultra-confiante que comandava...a tarefa será muito mais difícil.

Mas, e aí está o mas da história, tenhamos presente que Gil não terá em mãos uma equipa por ele escolhida. Por isso, merecerá que nesta aventura, que ainda não sabemos se será para se prolongar para o próximo exercício, tenhamos a consciência que ele está no barco que nós adeptos vitorianos vamos navegando. Um barco difícil de lidar, com uma tripulação com carências e, ainda para mais, sem a confiança para vencerem as ondas que terão pela frente.

Por isso, Gil merce por tudo ser feliz... mas, se não o for, que saibamos proteger um dos nossos maiores activos. Sob pena de ajudarmos a justificar e a precipitar um desenlace que, infelizmente, tem sido recorrente no Vitória: a partida do treinador. E seria uma pena queimar alguém com 32 anos e com tantas provas dadas!

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